Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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O gabinete do procurador dos EUA no Distrito de Columbia abriu uma investigação criminal contra Jerome H. Powell, presidente do Federal Reserve, devido à reforma da sede do banco central em Washington e por supostamente ter mentido ao Congresso sobre o escopo do projeto, segundo autoridades informaram o New York Times (NYT) sobre a situação.

Em uma mensagem de vídeo divulgada pelo Fed, Powell reconheceu no domingo (11/01) que o Departamento de Justiça havia notificado o banco central com intimações do grande júri dias antes. Ele descreveu a investigação como “sem precedentes” e questionou a motivação da medida, embora tenha afirmado que desempenhou suas funções como presidente “sem medo ou favorecimento político”.

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O presidente do Fed alertou que a investigação sinalizava uma batalha mais ampla sobre a independência do Fed. “A ameaça de acusações criminais é uma consequência do fato de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente“, argumentou Powell. “Trata-se de saber se o Fed será capaz de continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas — ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”.

A investigação, aprovada em novembro por Jeanine Pirro, uma aliada radical de longa data do presidente Trump que foi nomeada para chefiar o escritório no ano passado, intensifica a longa disputa entre Trump e Powell, a quem o presidente ataca continuamente por resistir às suas exigências de cortes significativos nas taxas de juros. O presidente Trump ameaçou demitir Powell — mesmo tendo indicado-o para o cargo em 2017 — e levantou a possibilidade de um processo contra ele relacionado à reforma de US$ 2,5 bilhões, alegando “incompetência”.

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Anteriormente, os aliados de Trump passaram meses no ano passado acusando o Fed de má gestão das reformas bilionárias. O próprio presidente dos EUA ameaçou repetidamente entrar com ações judiciais. O governo Trump já nomeou um aliado próximo do presidente para o poderoso conselho de governadores do Fed e tentou demitir Lisa Cook , governadora indicada por Joe Biden, devido a alegações não confirmadas de fraude hipotecária.

Em vídeo, Jerome Powell alertou que a independência do Fed está sob ameaça direta e prometeu resistir à pressão política de Trump
Federalreserve / Flickr

Em um comunicado divulgado na noite de domingo, Powell insistiu que a ameaça legal “não tinha a ver” com seu depoimento no verão passado, nem com a supervisão do Congresso sobre o Fed. “Reiterou sua defesa da autonomia da instituição, afirmando que a questão central era saber se a política monetária seria dirigida por evidências ou por intimidação política.”

“Trabalhei no Federal Reserve durante quatro administrações, tanto republicanas quanto democratas”, salientou Powell. “Em todos os casos, cumpri minhas funções sem medo ou favorecimento político, focado exclusivamente em nosso mandato de estabilidade de preços e pleno emprego.”

“O serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças. Continuarei a desempenhar a função para a qual fui confirmado pelo Senado, com integridade e um compromisso de servir ao povo americano”.

O ouro e a prata dispararam para máximos históricos, em reação ao anúncio de Powell; o ouro chegou perto de US$ 4.600 (cerca de R$ 24,7 mil) a onça e a prata se aproximou de US$ 85 (cerca de R$ 456) pela primeira vez.

Com a inflação nos EUA atingindo seu nível mais alto em uma geração após a pandemia, o Fed se apressou em aumentar as taxas de juros em 2022 e 2023 – elevando-as, em última instância, ao seu nível mais alto em duas décadas – numa tentativa de arrefecer a maior economia do mundo.

“Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilização em nossa democracia”, declarou Powell no domingo. “Ninguém – certamente não o presidente do Federal Reserve – está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”.