Governo Trump pretende reduzir caças e navios de guerra destinados a países da OTAN
Jornal New York Times teve acesso ao plano que prevê redução de custos na defesa das nações europeias; cronograma do Pentágono ainda não foi anunciado
O governo dos Estados Unidos planeja reduzir os custos do seu envolvimento militar com os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Segundo informações fornecidas por autoridades europeias ao The New York Times, os cortes vão desde a redução de aeronaves e navios de guerra à realocação de porta-aviões e submarinos.
A iniciativa é parte da estratégia anunciada pelo governo Trump de transferir uma parcela maior dos custos de defesa aos próprios países europeus. O jornal norte-americano teve acesso ao documento enviado pelo Pentágono, no começo de junho, aos oficiais dos países do bloco.
Entre as medidas previstas pela Casa Branca constam: redução do número de caças F-16 e F-15E de aproximadamente 150 para 100 unidades, diminuição das aeronaves de reconhecimento marítimo de 26 para 15, além da retirada de oito jatos petroleiros de reabastecimento aéreo.
Também está prevista a realocação de um submarino lançador de mísseis e um porta-aviões, junto com vários navios de guerra e dezenas de jatos; e de um dos dois grupos de bombardeiros designados para a defesa da Europa.
O cronograma dos cortes ainda não foi divulgado pelo Pentágono, mas as autoridades sinalizam que eles entrarão em vigor antes do esperado pelos países europeus. Trump criticou várias vezes, ao longo da Guerra no Irã, a não entrada dos países do bloco no conflito, chegando a chamá-los de “covardes” por falta de ajuda na abertura do Estreito de Ormuz.
“O presidente Trump e o secretário [Pete] Hegseth foram claros ao dizer que isso precisa mudar, e vai mudar. A realidade potencial de um conflito simultâneo em múltiplos cenários exige isso”, afirmou o chefe do Comando Europeu do Pentágono, general Alexus G. Grynkewich, em junho.

Governo Trump pretende reduzir caças e navios de guerra destinados a países da OTAN
Joe Painter / Wikimedia Commons
Impactos
Segundo especialistas ouvidos pelo The New York Times, trata-se de uma das mudanças mais significativas na relação dos Estados Unidos com os aliados da OTAN desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Eles apontam que a redução do aparato militar poderá ter implicações nas capacidades estratégicas da organização.
Os cortes poderiam afetar, por exemplo, missões de vigilância, monitoramento da atividade de submarinos russos e até mesmo a capacidade de lançar mísseis Tomahawk em operações de longo alcance.
“Embora cada um desses cortes possa ser administrado individualmente, em conjunto eles representam uma mudança significativa de postura e criam desafios para a prontidão europeia em toda a gama de capacidades de dissuasão”, afirmou Giuseppe Spatafora, pesquisador do Instituto Europeu de Estudos de Segurança, ao NYT.
A reportagem ressalta, no entanto, que mesmo com os cortes previstos, as tropas norte-americanas ainda constituirão uma das maiores forças da OTAN na Europa; e que o impacto da medida deverá ser parcialmente compensado pelo processo de rearmamento em curso nos países europeus.
Na cúpula de Haia de junho de 2025, os 32 países da OTAN concordaram em aumentar seus gastos com defesa para 5% de seus respectivos PIBs nacionais até 2035.
























