Sexta-feira, 27 de março de 2026
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A Universidade de Harvard afirmou nesta sexta-feira (20/03) que o governo de Donald Trump entrou com uma ação judicial em Massachusetts, alegando que a universidade violou os direitos civis de judeus e israelenses após a guerra em Gaza, o que é considerado “pretextual e retaliatório”, e estaria relacionado à recusa da instituição em transferir autonomia para o governo dos Estados Unidos.

O processo, segundo matéria do jornal norte-americano The New York Times, acusa a instituição da Ivy League de permitir que manifestantes anti-Israel atuassem no campus “com impunidade” após o ataque do Hamas a Gaza em 2023 e a subsequente resposta militar de Israel.

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No mês passado, Trump afirmou que queria uma indenização de cerca de R$ 5,2 bilhões (US$ 1 bilhão) de Harvard, também sob a acusação de antissemitismo.

Já em setembro do ano passado, o governo do mandatário cancelou aproximadamente R$ 11,4 bilhões (US$ 2,2 bilhões) em bolsas de pesquisas federais como parte da disputa, numa medida vista por críticos como uma forma de punir a universidade, ao desafiar as diretrizes impostas por esta para programas de diversidade, equidade e inclusão – a Casa Branca considera tais parâmetros como uma forma de ensino ideológico “de esquerda”.

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O documento judicial de 44 páginas afirma que a universidade aplicou políticas contra o preconceito, mas permitiu que protestos anti-Israel, como um acampamento de manifestantes pró-Palestina em 2024, ocorressem, “fechando os olhos ao antissemitismo e à discriminação contra judeus e israelenses”.

De acordo com o comunicado judicial, estudantes judeus e israelenses tiveram o acesso negado às instalações educacionais por manifestantes antissemitas, além de serem “assediados, agredidos fisicamente, perseguidos e cuspidos”.

Clima hostil

O documento também afirma que Harvard teria incentivado um clima hostil no campus e que, segundo o texto, a universidade realizou um “péssimo trabalho” ao lidar com os protestos, sendo considerada “fortemente antissemitista”.

“Temendo por sua segurança, os estudantes judeus usavam bonés de beisebol para esconder seus quipás ou se mantinham fora da vista”, afirmou o documento, alegando que Harvard não interveio adequadamente.

Em abril do ano passado, o presidente de Harvard, Alan Garber, rejeitou as alegações de Trump, mas admitiu que a universidade ainda tem trabalho a fazer.

Somesh Kesarla Suresh/ Unplash

No ano passado, universidade resistiu a ameaças de corte governo Trump após recusar exigências Somesh Kesarla Suresh/ Unplash

“Harvard leva esse trabalho a sério. Continuaremos a combater o ódio com a urgência que ele exige, cumprindo integralmente nossas obrigações perante a lei. Essa não é apenas nossa responsabilidade legal, mas também nosso imperativo moral”, afirmou Garber.

Harvard entrou com uma ação judicial contra a administração do governo Trump, afirmando que o governo tentou “assumir o controle das decisões acadêmicas”. Garber reforçou que a universidade “não vai abrir mão de sua independência e nem renunciará a seus direitos constitucionais”.

O processo movido pelo governo Trump é o segundo em um mês contra a universidade. No mês passado, o Departamento de Justiça afirmou que a universidade não cumpriu a exigência de fornecer dados que comprovassem que a ação afirmativa não fazia mais parte dos protocolos de admissão de estudantes.

No ano passado, a ordem do presidente norte-americano que proibia a entrada de estudantes estrangeiros em Harvard foi bloqueada por um juiz federal em Boston.