Segunda-feira, 8 de junho de 2026
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Levantamento revela que 73% dos 68 mil imigrantes detidos nos Estados Unidos não possuem antecedentes criminais. Os dados, relativos ao final de 2025, são do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), organização sem fins lucrativos da Universidade de Syracuse.

Mesmo entre os que têm algum registro policial, os casos envolvem majoritariamente infrações de baixo potencial ofensivo. “Muitos dos condenados cometeram apenas delitos menores, incluindo infrações de trânsito”, afirma o levantamento. Foi o caso, por exemplo, da primeira leva de 88 brasileiros deportados para o Brasil, que não tinham pendências criminais no país.

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É também a situação do influencer Júnior Pena, preso em 31 de janeiro, pelo Serviço de Alfândega e Imigração dos EUA (ICE), após não ter comparecido a uma audiência do seu processo de imigração. Pena foi encaminhado para o centro de detenção de Delaney Hall, em Newark. Com um milhão de seguidores nas redes sociais, ele reproduzia o discurso do presidente norte-americano Donald Trump de que o ICE só prendia “bandidos”.

A versão é desmentida pelos dados. O historiador James N. Green, da Universidade de Brown, afirmou à Agência Brasil, que juízes em Minnesota identificaram centenas de violações nas ações das forças federais. Em Minneapólis, em uma escalada da violência em janeiro, o ICE matou dois cidadãos estadunidenses, Renee Good e Alex Pretti.

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“Eles não podem parar uma pessoa e prendê-la se a pessoa não assumir que não está regular no país. Eles não podem, mas estão fazendo, porque Trump está violando a lei o tempo todo”, disse Green. “Só que as pessoas não sabem desse direito e abrem a porta e acabam permitindo que o ICE o prendam”, acrescentou.

Imigrantes presos sem antecedentes criminais representam 73% dos casos nos EUA
usicegov / Flickr

Aumento de 75%

Segundo o Conselho Americano de Imigração, o número total de imigrantes presos neste segundo mandato de Trump saltou de 40 mil para 68 mil, um aumento de 75%, com expectativa oficial de alcançar 100 mil detidos no início de 2026. E pior: “em novembro de 2025, para cada pessoa liberada da detenção do ICE enquanto aguardava uma audiência, 14,3 pessoas foram deportadas diretamente, um aumento em relação à proporção de 1,6 em dezembro de 2024”, diz a entidade.

Mortes também ocorreram dentro das prisões. Entre janeiro e 18 de dezembro de 2025, 30 pessoas morreram sob custódia do ICE. O encarceramento, aponta a reportagem, tem beneficiado empresas privadas de segurança e de administração prisional. No começo de 2025, 90% dos detidos estavam nesse modelo de gestão das instalações.