Justiça dos EUA investiga escritora que acusa Trump de abuso sexual
Presidente norte-americano, condenado em dois processos, recorre contra decisões dos tribunais; E. Jean Carroll torna-se alvo de apuração por 'perjúrio'
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) abriu uma investigação criminal contra a escritora E. Jean Carroll. Em 2022, ela moveu um processo contra o presidente norte-americano Donald Trump, afirmando ter sido estuprada por ele.
A informação, divulgada pela agência Reuters nesta quarta-feira (27/05), tem como base o relato de uma fonte anônima familiarizada com o caso. A investigação visa determinar se Carroll cometeu perjúrio durante seus depoimentos em dois processos civis que resultaram na condenação de Trump.
Segundo a escritora, a agressão ocorreu no vestiário da loja de luxo localizada na frente da Trump Tower, em Manhattan, em 1996. O caso foi levado a julgamento em 2023 e os juízes concluíram que o bilionário abusou dela sexualmente, embora não tenham confirmado o estupro.
No primeiro julgamento, Trump foi condenado por abuso sexual e difamação, sendo obrigado a pagar US$ 5 milhões (R$ 25 milhões) em indenizações. Em janeiro de 2024, em outro processo por difamação movido pela escritora, ele foi condenado a desembolsar US$ 83,3 milhões (R$ 421 milhões), destaca a Reuters.
Desde então, Trump vem recorrendo das decisões judiciais. Em novembro de 2025, já como presidente dos Estados Unidos, ele pediu à Corte Suprema que cancelasse as condenações no caso.

Justiça dos EUA investiga escritora que acusa Trump de abuso sexual
@ejeancarroll / X
Me Too
A investigação, agora conduzida pela procuradoria federal de Chicago, foi motivada por um depoimento da escritora que havia afirmado não ter recebido financiamento externo para mover a ação judicial contra o bilionário. Seus advogados, no entanto, admitiram que Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, havia arcado com parte dos custos do processo.
Segundo a fonte ouvida pela Reuters, o lançamento da investigação não significa necessariamente que Carroll será formalmente acusada.
Ex-colunista da revista Elle, ela tornou pública a acusação em 2019, no livro “Para que precisamos de homens? Uma proposta modesta”.
A decisão de se expor, disse à época, foi motivada pelo movimento Me Too. “Levei muito tempo para perceber que ficar em silêncio não funciona”, declarou.
























