Maioria dos norte-americanos acredita que Trump errou ao declarar guerra contra Irã, aponta pesquisa
Levantamento New York Times/Siena indica que 64% avaliam conflito como 'equívoco', enquanto aumenta desaprovação da Casa Branca e preocupação econômica no país
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, errou declarar guerra contra o Irã, acredita a maioria dos eleitores norte-americanos de acordo com a pesquisa New York Times/Siena divulgada nesta segunda-feira (18/05). O levantamento conclui que o Partido Republicano, desta forma, se enquadra em uma “posição política instável” decorrente do aumento da sua desaprovação como também de preocupações econômicas, pouco antes das decisivas eleições de meio mandato, em novembro.
“A maioria dos eleitores disse que a guerra não valeu o que custou e manteve visões profundamente pessimistas sobre a economia”, afirma o jornal NYT. A pesquisa ouviu 1.507 eleitores registrados em todo o país, e foi realizada entre 11 e 15 de maio.
Conforme revela o levantamento, a taxa de aprovação de Trump caiu para o menor nível já registrado referente ao seu segundo mandato presidencial, com 37%, em meio à guerra em curso contra o Irã e a escalada de tensões no Oriente Médio.
Enquanto quase dois terços, 64%, de todos os eleitores, incluindo democratas e republicanos, consideram que os Estados Unidos tomaram a decisão errada ao terem iniciado o conflito, apenas 30% da mesma categoria acham que valeu a pena. Entre os independentes, que são politicamente cruciais, 73% avaliam que a guerra foi um equívoco por parte da gestão Trump.
De acordo com a pesquisa, os eleitores republicanos manifestaram amplo apoio ao desempenho do governo trumpista tanto em sua política interna quanto na guerra. Em contrapartida, a maioria das outras categorias de eleitores demonstrou ceticismo em relação à liderança do mandatário norte-americano em outras esferas sociais, incluindo a economia e o custo de vida. 64% de todos os eleitores desaprovaram a forma como a qual Trump administra a economia, e a maioria desaprovou sua maneira de gerir os custos de vida, as políticas de imigração e o genocídio na Palestina.
A insatisfação entre os independentes cresceu quando comparado com a pesquisa Times/Siena realizada em janeiro passado: 69% desaprovam o desempenho presidencial, ou seja, um aumento em relação aos 62%. Além disso, 47% dos independentes afirmam que as políticas de Trump foram prejudiciais à categoria, o que configura um aumento em relação aos 41% no segundo semestre de 2025.
No cenário geral, 44% dos eleitores dizem que as políticas de Donald Trump lhes foram prejudiciais, um aumento em relação aos 36% do segundo semestre passado.
Embora o ambiente político tenha piorado para o presidente e seu partido, os democratas, de acordo com o NYT, “ainda não convenceram os eleitores de que oferecem uma alternativa convincente”. Conforme mostra a pesquisa, a categoria manteve a sua imagem política, sem melhorias, “mesmo após mais de um ano tentando demonstrar que entendem as preocupações dos eleitores e podem enfrentar Trump”.
Segundo o levantamento, apenas 26% dos eleitores da própria sigla disseram estar satisfeitos com o Partido Democrata. 44% dos democratas se descreveram como insatisfeitos, enquanto apenas 23% dos republicanos disseram o mesmo sobre seu partido.
Em uma pergunta hipotética sobre as eleições de meio de mandato, os democratas mostraram uma vantagem de 10 pontos percentuais entre os eleitores registrados: 50% manifestaram que apoiariam o candidato do partido se as votações fossem realizadas hoje. Já 39% disseram que apoiariam os republicanos. A vantagem democrata entre os independentes foi de 18 pontos percentuais, embora 16% tenham recusado escolher uma sigla preferida.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, errou declarar guerra contra o Irã, acredita a maioria dos eleitores norte-americanos de acordo com a pesquisa New York Times/Siena
@WhiteHouse
Agressões militares contra Irã
“À medida que as negociações de paz com o Irã estagnam e o fechamento do Estreito de Ormuz continua a elevar os preços da energia, há pouco apetite público para que Trump retome as operações militares contra o país”, afirmou o NYT.
A maioria dos eleitores, 63%, incluindo 27% dos republicanos, afirmam que o presidente Donald Trump não deve usar a força militar sem aprovação do Congresso. No entanto, os apoiadores centrais do Partido Republicano apoiam a continuidade da guerra: 67% acreditam que as operações militares deveriam ser retomadas caso um acordo não seja alcançado, e 73% esperam que a guerra ponha fim ao programa nuclear do Irã.
A perspectiva sobre a economia piorou desde que os Estados Unidos passaram a atacar o Irã, em 28 de fevereiro, agressão que orquestrou juntamente com Israel e culminou no fechamento do estratégico Estreito de Ormuz. Desde então, o custo médio de um galão de gasolina subiu para mais de US$ 4,50 (mais de R$ 22,50). Nas últimas semanas, vários indicadores econômicos, incluindo confiança do consumidor, preços e dívida das famílias, pioraram, informa o NYT.
“A parcela de eleitores que classificam a economia como ‘ruim’ aumentou 11% desde janeiro, chegando a quase metade de todos os eleitores que dão a pior avaliação para a economia. Até mesmo os republicanos estavam divididos de forma equilibrada, com cerca de metade dizendo que a economia era apenas justa ou ruim”, acrescenta.
Os eleitores que dizem que o país está tomando as decisões corretas e indo no caminho certo caiu de 37% em janeiro para 32%, agora. A queda foi principalmente impulsionada pelos 12% do pessimismo entre os republicanos.
Apenas 28% dos eleitores gerais acreditam que Trump lidou bem com os custos de vida da população, uma queda de 6% em relação a janeiro. Entre os republicanos, em específico, houve uma queda de 14% desde janeiro.
























