Mamdani condena evento em sinagoga que promoveu imigração para Cisjordânia ocupada
Prefeito eleito em Nova York disse que utilizar espaços sagrados viola direito internacional; Nefesh B'Nefesh recruta judeus norte-americanos para morar em assentamentos ilegais
O prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, condenou o evento da organização Nefesh B’Nefesh que alugou o espaço da Sinagoga Park East na última quarta-feira (19/11) para auxiliar judeus norte-americanos a se mudarem para Israel, bem como para assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada. Segundo um porta-voz ele disse que “esses espaços sagrados não devem ser usados para promover atividades que violem o direito internacional”.
A Assembleia Palestina para a Libertação (AWDA) de Nova York e Nova Jersey organizou um protesto em frente ao evento com gritos de “morte às Forças de Defesa de Israel” e “globalizem a Intifada”. Mamdani, além de criticar a organização sionista, também reiterou em comunicado ao jornal The New York Times (NYT) nesta segunda-feira (24/11): “Protegeremos os direitos da Primeira Emenda dos nova-iorquinos, deixando claro que nada justifica uma linguagem que incite a morte de alguém. É inaceitável, ponto final”.
Em declarações nas redes sociais, o grupo pró-Palestina denunciou nesta segunda (24) o evento na Sinagoga Park East como “uma feira de recrutamento de colonos, que busca recrutar colonos norte-americanos para ocupar ilegalmente terras palestinas roubadas”.
O democrata já havia respondido no dia seguinte (20/11) afirmando por meio de uma porta-voz que “desencorajava a linguagem” usada no protesto e que os nova-iorquinos devem ser “livres para entrar em um local de culto sem intimidação”.
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Mamdani, que assumirá o cargo de prefeito em 1º de janeiro, enfrenta algumas dificuldades para construir laços com a população judaica, muitos dos quais se opuseram à sua candidatura em parte devido às suas críticas constantes a Israel e ao seu ativismo pró-Palestina.
A organização sem fins lucrativos, Nefesh B’Nefesh, realizou as atividades na sinagoga. Conhecida por ajudar os judeus norte-americanos a se mudarem para cidades israelenses como Haifa e Tel Aviv, mas também por promover a migração para dezenas de assentamentos na Cisjordânia ocupada.
Nesta segunda-feira (24/11), a porta-voz de Mamdani esclareceu que o prefeito eleito acreditava que quaisquer violações do direito internacional se limitavam à promoção de atividades de assentamento por parte da organização na Cisjordânia ocupada, território que Israel assumiu o controle da Jordânia após a invasão de 1967.
William Daroff, diretor executivo da Conferência de Presidentes das Principais Organizações Judaicas Americanas e membro do conselho da Nefesh B’Nefesh, criticou o posicionamento do prefeito eleito no sábado (22/11) no X: “Uma sinagoga é onde os judeus aprendem, oram e fortalecem a vida judaica. Ensinar sobre aliá (imigração de judeus para Israel) e sionismo pertence a esse espaço. Reflete quem somos como povo”.
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A porta-voz Yael Katsman da Nefesh B’Nefesh afirmou que “não endossa, recomenda ou promove nenhuma comunidade, local ou bairro específico para onde se mudar em Israel”. Contrariando o site da organização que apresenta recomendações sobre a vida em cidades israelenses, assim como em alguns dos maiores blocos de assentamentos na Cisjordânia. Incluindo os 22 assentamentos ilegais em Gush Etzion, uma área ao sul de Jerusalém, e Ma’ale Adumim, um grande assentamento localizado entre o norte e o sul da Cisjordânia, que muitos palestinos consideram uma ameaça à integridade territorial de um futuro Estado palestino.
A organização Nefesh B’Nefesh também incentiva os judeus norte-americanos a se mudarem para assentamentos menores, que retratam como partes integrantes de Israel. Por exemplo, descrevendo o assentamento de Elkana, na Cisjordânia ocupada, como “uma comunidade bonita, confortável e bem localizada no centro de Israel. Localização! Localização! Localização!”.























