Megaoperação na Louisiana pretende prender cinco mil imigrantes em dois meses
Presença de centenas de agentes do ICE transforma rotina em Nova Orleans e região; segundo advogado, maior parte dos detentos encontra-se em processo de regularização
Uma megaoperação de repressão aos imigrantes está em curso em Nova Orleans e regiões vizinhas no estado da Louisiana. Mais de 250 agentes federais foram deslocados para atuar na “Operação Catahoula Crunch”, lançada na semana passada, com o objetivo de prender 5 mil imigrantes, em apenas dois meses, na região.
Em entrevista ao Democracy Now!, o advogado Homero López, diretor jurídico da Immigration Services and Legal Advocacy (ISLA), sediada em Nova Orleans, denunciou os impactos da operação que já afetaram a rotina das cidades, disseminando o medo nas comunidades.
Segundo López, o fato de haver uma meta – 5 mil detenções – a ser atingida evidencia que o ICE não está mirando nos “piores dos piores”, conforme alegou a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, ao justificar o lançamento da operação.
“Eles estão prendendo quem puder e, como a Suprema Corte infelizmente autorizou, usando o perfilamento racial como parte dessa estratégia”, acusou o advogado.

Megaoperação na Lousiana pretende prender cinco mil imigrantes em dois meses
usicegov / Flickr
Oficiais da Agência de Imigração e Alfândega (ICE) e da Alfandega e Proteção de Fronteiras (CBP) estão circulando próximos a escolas, locais de trabalho e pontos de transporte dos municípios do estado. “A verdadeira intenção desta operação é semear o medo na comunidade local”, sustenta López.
Ele explicou ao Democracy Now! que a maioria das pessoas presas estavam em alguma fase do processo de regularização. “O que eles fazem é retirar pessoas da nossa comunidade: nossos vizinhos, nossos amigos, nossos familiares. E são essas pessoas que eles detêm e enviam para esses centros de detenção terríveis, na tentativa de deportá-las rapidamente do país”, afirmou.
Louisiana
Segundo o advogado, o estado da Louisiana está desempenhando um papel desproporcional na aplicação das leis de imigração. A sede do ICE conta com as presenças do ex-secretário de Vida Selvagem e Pesca do estado, atual diretor adjunto da agência em nível nacional; e do antigo diretor regional da agência na cidade.
“Há vários agentes de deportação da Louisiana que foram trabalhar na sede”, afirma López, destacando que eles seguem, desde 2014, uma abordagem de “encarcerar o máximo de pessoas possível, armazená-las rapidamente e deportá-las do estado”.
A Louisiana, conta López, “tem um histórico terrível de ser a capital mundial do encarceramento. E isso não é diferente quando se trata agora de detenção de imigrantes.” Trata-se do segundo estado em população imigrante encarcerada, atrás apenas do Texas, que é uma cidade de fronteira.
López também apontou que os centros de detenção se encontram em áreas remotas, citando o caso das transferências para prisões rurais dos estudantes Mahmoud Khalil, da Universidade Columbia, que permaneceu três meses detido.
“Basicamente estamos depositando essas pessoas em prisões, sem lhes dar a oportunidade de se defender e apresentar uma argumentação viável por meio do devido processo legal”, denunciou.
Acordo judicial revogado
Lopéz também comentou que, mês passado, o Departamento de Justiça norte-americano cancelou a vigência de um acordo válido por décadas em Nova Orleans, impedindo o escritório do xerife da cidade a cooperar com o ICE. A ferramenta foi implementada devido a abusos anteriores e, agora, “sem esse acordo judicial, a decisão cabe à xerife”.
Ele contou que grupos de defesa estão pressionando para que a política seja mantida; e que também foi pedido um posicionamento do Conselho Municipal de Nova Orleans. “Entendemos que eles não têm necessariamente muito poder sobre as ações federais, mas a questão aqui são os valores que a cidade representa e o que demonstraremos à nossa comunidade e aos nossos moradores sobre quem apoiamos, o que apoiamos e o que defendemos na cidade”, afirmou.























