Quinta-feira, 16 de abril de 2026
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* atualizada às 18h

Mais de 3 mil protestos contra o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, ocorreram em várias regiões dos Estados Unidos, neste sábado (28/03). Sob o lema “No Kings”, os atos visaram denunciar a concentração de poder no Executivo e a condução de medidas agressivas na política externa, comércio e imigração.

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A iniciativa reuniu uma ampla coalizão de grupos progressistas e movimentos sociais, que apontam o governo Trump como um risco às instituições democráticas e aos mecanismos de controle do poder. “Trump quer nos governar como um tirano. Mas estes são os Estados Unidos, e o poder pertence ao povo — não àqueles que aspiram a ser reis ou a seus aliados bilionários”, afirma a plataforma do movimento.

A mobilização acontece no momento em que a taxa de aprovação de Trump despenca para 36% no país. Neste cenário, os protestos “No Kings” apresentam-se como um termômetro do descontentamento popular em pleno ano de eleições de meio de mandato. A organização dos atos deste sábado esteve a cargo de redes como MoveOn, Indivisible e 50501, que estruturaram as mobilizações com foco em participação ampla e caráter pacífico.

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Protestos no mundo

As manifestações “No Kings” também se espalharam para várias regiões do mundo. Protestos ocorreram na França, Espanha, Portugal, Alemanha, Itália e Grécia.

No Reino Unido, mais de um milhão de pessoas se reuniram em Londres no maior ato conjunto pró-Palestina e contra a extrema-direita registrado no país. O protesto “Juntos Contra a Extrema Direita”, organizado pela Together Alliance se somou à marcha “Juntos pela Palestina – Parem de Bombardear o Irã”, contra a guerra em curso contra o Irã e em solidariedade à luta palestina.

Minneapolis e Nova York

Segundo os organizadores, 200 mil pessoas se reuniram em St. Paul, em Minneapolis, para o maior ato do dia, ao redor do Capitólio de Minnesota. Eles também prostestaram nas proximidades onde agentes de imigração assassinaram os cidadãos estadunidenses Renee Good e Alex Pretti, em janeiro.

O governador de Minnesota, Tim Walz, o senador Bernie Sanders, Bruce Springsteen, Jane Fonda e Joan Baez participam do ato. Em meio aos gritos de “ICE fora, agora”, Springsteen cantou sua música sobre a morte e a destruição causadas pelos agentes de imigração no estado, “Streets of Minneapolis”.

Ao apresentar o cantor, Walz afirmou que os Estados Unidos não precisam de “nenhum maldito rei”. “Jamais esqueceremos o que eles fizeram aqui. Vocês ainda estarão aqui quando aquele palhaço laranja já tiver virado pó na história”, afirmou.

Em Nova York, várias personalidades participaram das manifestações, como Letitia James, procuradora-geral do estado, Jumaane Williams, defensor público da cidade, Robert De Niro, o reverendo Al Sharpton e Padma Lakshmi. Eles se posicionaram atrás de faixas com os dizeres: “nós protegemos nossa democracia – o povo acima dos bilionários – nós protegemos nossos vizinhos”.

“Da Palestina ao México, todos os muros têm que cair”, “ICE racista, vocês não podem se esconder, nós os acusamos de genocídio!” estavam entre as palavras de ordem dos manifestantes que marcharam pela Times Square.

Washington e Chicago

Em Washington, os protestos se concentraram nas proximidades do Cemitério Nacional de Arlington e houve uma marcha até Fort McNair, onde reside Stephen Miller, conselheiro sênior da Casa Branca. Nos degraus do Lincoln Memorial, uma dúzia de mães palestinas acenaram com uma bandeira palestina de três metros de altura.

Os protestos também ocorreram em Illinois, com a participação da vice-governadora Juliana Stratton. “Viemos aqui para deixar claro que jamais nos curvaremos a um rei, Illinois se levantará e lutará como sempre fazemos”, afirmou ela, em comício.

Em Chicago, milhares de manifestantes se reuniram no Butler Field, no Grant Park, gritando “ICE fora” e “Trump tem que sair agora, os fascistas têm que sair agora”. “Estamos enviando uma mensagem clara: vamos acabar com esses ataques contra trabalhadores, contra imigrantes e com essas guerras intermináveis”, afirmou o prefeito da cidade, Brandon Johnson, que também participou dos protestos.

Além das grandes concentrações, atos também ocorrem em pequenas cidades, com cartazes improvisados denunciando a guerra no Irã como “ilegal e catastrófica” e as operações migratórias do governo Trump. Atos também estavam previstos em redutos republicanos, como Flórida e Texas.

‘No Kings’: onda de protestos contra Trump toma as ruas dos EUA neste sábado
reprodução vídeo/ @freedownewstv

Casa Branca

A Casa Branca reagiu com desdém às mobilizações. Em comunicado, a porta-voz Abigail Jackson afirmou que “os únicos interessados nessas sessões de terapia de delírios de Trump são os jornalistas pagos para cobri-las”, minimizando a relevância política dos protestos. Segundo ela, as manifestações foram criadas por “redes de financiamento de esquerda”.

Para Randi Wingarten, presidente da Federação Americana de Professores (AFT), com esses atos, os norte-americanos estão dizendo a Trump: “você foi eleito para nos ajudar e ajudar nossas famílias a termos uma vida melhor, não para ajudar os bilionários, não para criar robôs como professores, não para simplesmente criar maneiras de você e sua família ficarem ricos”.

“É por isso que cada vez mais pessoas o veem como um rei”, destacou Wingarten ao Democracy Now. “Precisamos encontrar uma maneira de nos sustentar. Não queremos uma guerra que custe bilhões de dólares. Não queremos uma guerra que aumente o preço da gasolina”, acrescentou.

Este é o terceiro grande ciclo de protestos do movimento “No Kings”. A primeira mobilização ocorreu em junho de 2025, coincidindo com um desfile militar organizado por Trump em Washington; outra grande jornada de protestos ocorreu, em outubro, reunindo milhões de pessoas em todos os 50 estados do país.