Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
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Em um movimento que evidencia a desconexão entre a política federal e as necessidades locais, o Departamento de Saúde da cidade de Nova York aderiu a uma rede global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para combater novos patógenos. A decisão ocorre apenas duas semanas após a retirada formal dos Estados Unidos da OMS decretada pelo governo Trump.

A iniciativa é a mais recente de uma série de esforços das autoridades sanitárias nova-iorquinas para construir alianças internacionais próprias, em um contexto em que a administração federal se afasta de parcerias globais e reduz iniciativas de prevenção a surtos. A medida ilustra como governos locais e estaduais, diante do negacionismo e do isolacionismo da Casa Branca, são forçados a agir por conta própria para garantir a segurança de suas populações.

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No ano passado, a cidade e o estado de Nova York já haviam se unido a outros estados do nordeste para formar uma coalizão regional de saúde pública. O objetivo era coordenar políticas e emitir recomendações sobre vacinação – uma resposta direta às mudanças nas diretrizes federais e à percepção de que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) ofereceriam menos suporte do que no passado.

Essa dinâmica de ação estadual e municipal independente se repete pelo país. Vários estados do oeste formaram a “Aliança de Saúde da Costa Oeste”. Agora, seguindo o exemplo da Califórnia e de Illinois, Nova York integra-se à Rede Global de Alerta e Resposta a Surtos (GOARN, na sigla em inglês) da OMS, um consórcio internacional para monitorar e reagir a doenças emergentes.

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“Para melhor prevenir surtos de doenças e emergências de saúde pública e proteger nova-iorquinos e visitantes, estamos nos unindo a centenas de instituições de saúde pública em todo o mundo que compartilham informações essenciais”, declarou a Dra. Michelle Morse, comissária de saúde interina da cidade.

A rede global inclui mais de 300 agências e organizações. Em caso de surtos, ela mobiliza epidemiologistas e cientistas para investigar e coordenar respostas. As autoridades de Nova York esperam que a participação garanta acesso rápido a informações sobre ameaças à saúde em qualquer parte do mundo.

O Departamento de Saúde, uma grande agência com orçamento de US$ 1,6 bilhão e mais de 7.000 funcionários, planeja participar de reuniões semanais da rede. Ainda não está claro se também enviará seus próprios cientistas para auxiliar no combate a surtos no exterior.

“As doenças infecciosas não conhecem fronteiras”, concluiu a Dra. Morse, “e o mesmo deveria valer para as informações e os recursos que nos ajudam a proteger os nova-iorquinos”. A iniciativa de Nova York reforça um movimento crescente de resistência subnacional às políticas de abandono da cooperação sanitária internacional promovidas por Washington.