Novos arquivos de Epstein têm fotos de celebridades, menções ao Brasil e páginas censuradas
Documentos liberados pelo governo dos EUA revelam o alcance internacional da rede de exploração sexual
O governo dos Estados Unidos divulgou, na última sexta-feira (19/12), uma nova leva de documentos da investigação sobre o bilionário Jeffrey Epstein, condenado por abusar sexualmente de menores e apontado como operador de uma ampla rede de exploração sexual com conexões no poder econômico e político. Os arquivos revelam imagens de celebridades, referências ao Brasil e centenas de páginas com trechos ocultados pelas autoridades.
A liberação ocorre após o Congresso estadunidense aprovar, em novembro, uma lei que obriga o Executivo a tornar públicos os registros do caso. A medida foi sancionada pelo presidente Donald Trump, em meio a pressões políticas e disputas internas sobre o alcance das informações que poderiam vir à tona. Ao todo, mais de 300 mil páginas passam a ser disponibilizadas.
Entre os documentos divulgados, aparecem fotografias de Epstein ao lado de figuras conhecidas internacionalmente, como Michael Jackson, Mick Jagger e o ex-presidente dos EUA Bill Clinton. Os registros não trazem explicações sobre o contexto em que as imagens foram produzidas e também não indicam a natureza das relações mantidas com o financista.
Os arquivos também citam o Brasil em ao menos dois momentos distintos. Em um deles, há um recado registrado em janeiro de 2005 solicitando que Epstein entrasse em contato com um novo número de telefone, identificado apenas com o assunto “Brasil”. A autoria da mensagem aparece censurada nos documentos oficiais.
Em outro trecho da investigação, uma anotação manuscrita relata que uma mulher teria sido fotografada sem saber. O nome foi ocultado, mas o texto indica que ela teria viajado ao Brasil aos 18 anos e retornado aos Estados Unidos dois anos depois, levantando questionamentos sobre o contexto da viagem e possíveis vínculos com a rede investigada.

Donald Trump foi amigo próximo de Jeffrey Epstein nas décadas de 1990 e 2000
Reprodução/Netflix
Mais cedo, o vice-procurador geral Todd Blanche afirmou, em entrevista à Fox News, que novas liberações ainda devem ocorrer nas próximas semanas. Segundo ele, o governo pretende tornar públicos outros conjuntos de documentos, embora tenha deixado claro que nem todo o material reunido ao longo das investigações será divulgado.
O Departamento de Justiça já havia informado que parte dos arquivos permanecerá sob sigilo, alegando que alguns conteúdos envolvem investigações em andamento e apurações determinadas pelo próprio Trump sobre figuras ligadas ao Partido Democrata que mantiveram relação com Epstein. As autoridades também afirmam que os nomes das vítimas serão preservados.
A legislação aprovada pelo Congresso permite ocultar dados pessoais das vítimas e informações sensíveis de processos ainda em curso, mas proíbe censuras motivadas por constrangimento, impacto reputacional ou conveniência política. Mesmo assim, a quantidade de trechos suprimidos tem alimentado críticas sobre falta de transparência.
Jeffrey Epstein foi acusado de abusar sexualmente de mais de 250 meninas menores de idade. O caso voltou ao centro do debate público neste ano diante das idas e vindas do governo Trump sobre a divulgação dos documentos, reforçando suspeitas de que interesses políticos seguem influenciando o ritmo e o alcance das revelações.























