Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Os democratas ampliaram suas possibilidades de retomar o controle do Senado nas eleições legislativas, marcadas para novembro deste ano nos Estados Unidos. A avaliação é de uma reportagem publicada nesta segunda-feira (24/08) pelo New York Times, que ouviu estrategistas dos dois partidos e analistas independentes.

Segundo o jornal, o cenário eleitoral encontra-se marcado pela queda da popularidade do presidente Donald Trump e pela insatisfação dos eleitores com a economia, em particular, o aumento dos custos dos combustíveis e dos alimentos, frente à guerra contra o Irã, além dos gastos com a saúde.

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Embora os preços da gasolina tenham recuado em relação aos picos registrados no primeiro semestre deste ano, eles continuam elevados, enquanto a inflação permanece avançando acima dos salários.

A atual avaliação do governo, com aprovação inferior a 40%, destaca NYT, alterou o ambiente eleitoral, preocupando os republicanos que agora temem que os eleitores de centro migrem para as opções democratas. Em paralelo, o eleitorado democrata vem demonstrando maior mobilização e teve forte comparecimento nas primárias do partido.

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Disputa não será fácil

A disputa pela maioria na Casa Legislativa, no entanto, não será fácil para os democratas. Atualmente, eles controlam 47 cadeiras, enquanto os republicanos detêm 53 assentos. Para obter maioria, eles vão precisar eleger, pelo menos, quatro novos assentos. Dois deles serão disputados em estados vencidos por Trump, em 2024.

Além disso, quatro entre seis assentos também serão disputados em estados onde o republicano ganhou por dois dígitos. As principais batalhas ocorrerão no Alasca, Maine, Michigan, Ohio, Texas e Iowa.

A reportagem traz o cenário de algumas regiões onde os democratas estão avançando. No Alasca, por exemplo, a deputada democrata Mary Peltola garantiu sua vitória sobre o republicano incumbente, Dan S. Sullivan, por mais de cinco pontos percentuais em uma primária apartidária ocorrida no estado.

No Texas e em Iowa, segundo o Cook Political Report, a classificação que até então dava vantagem aos republicanos agora registra que os eleitores estão sem um candidato favorito. Iowa, inclusive, um estado fortemente dependente da agricultura, vem sofrendo com uma disparada dos preços dos fertilizantes desde o início da guerra, o que pode favorecer a candidatura democrata de Josh Turek.

NYT: democratas avançam na disputa pelo Senado em meio à baixa popularidade de Trump
Molly Riley / White House

No Texas, os democratas apostam em James Talarico, um seminarista presbiteriano que colocou a fé no centro da campanha. Ele disputa contra o procurador-geral republicano Ken Paxton, que, além de indiciado por fraude de valores mobiliários, também foi acusado de adultério por sua esposa.

Em Ohio, também uma região com forte atividade agrícola, o ex-senador democrata Sherrod Brown tenta retornar ao Senado e já conseguiu mais recursos do que seu adversário republicano, o senador Jon Husted.

Na Geórgia, o quadro também é favorável aos democratas. O senador Jon Ossoff aparece à frente do republicano Mike Collins. E, na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper, que nunca perdeu uma eleição, lidera contra o republicano Michael Whatley.

Vantagem dos republicanos

Os republicanos, contudo, mantêm vantagens em outras regiões, como Michigan, onde os democratas tentam superar as tensões provocadas por uma primária marcada por ataques pessoais e divergências em torno da candidatura de Abdul El-Sayed, que se manifestou veementemente contra Israel.

Já no Maine, o democrata Graham Platner teve de sair da disputa após sua ex-companheira, Janny Racicot, acusá-lo de estupro, o que ele nega. Em consequência, o Partido Democrata o substituiu por Troy Jackson.

Os republicanos, no entanto, mantêm mais recursos financeiros do que os candidatos democratas para disputar as eleições legislativas. Segundo a reportagem, os gastos publicitários republicanos superaram os dos democratas em todas as seis principais disputas, exceto na do Texas.

Para a senadora democrata Kirsten Gillibrand, de Nova York, no entanto, “todo o dinheiro do mundo não deve mudar o fato de que Trump e os republicanos no Congresso tornaram a vida muito mais difícil”. Segundo ela, “as pessoas estão cansadas, exaustas, não podem pagar nada. E vão mudar quem está no comando [do país]”.