Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
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O Parlamento Europeu paralisou nesta quarta-feira (21/01) a tramitação do acordo comercial com os Estados Unidos em resposta às recentes ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, de impor tarifas adicionais a países do bloco que confrontarem seus planos de anexar a Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca – esta que é, por sua vez, membro da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A confirmação foi feita pelo presidente da Comissão de Comércio Internacional do Legislativo da UE, o social-democrata Bernd Lange. A medida já havia sido antecipada, no dia anterior, pelo deputado Manfred Weber, líder do conservador Partido Popular Europeu (PPE), maior bancada na Eurocâmara.

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De acordo com Lange, ao anunciar taxas alfandegárias contra países europeus que enviaram soldados à Groenlândia, Trump “rompeu” o pacto firmado em julho de 2025, na Escócia, “usando tarifas para exercer pressão política” e forçar a venda da ilha ártica.

“É por isso que fomos muito claros: o procedimento permanecerá suspenso até que haja clareza sobre a Groenlândia e essas ameaças”, disse.

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Trump impôs tarifas de 10% aos países da OTAN
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O texto que estava previsto para ser ratificado pelo Parlamento da UE na próxima semana estabelece uma tarifa de 15% para a exportação de produtos europeus aos Estados Unidos. Por sua vez, os norte-americanos contariam com um regime de tarifa zero para acessar o mercado europeu em determinadas categorias.

Inicialmente, em julho passado, Trump anunciou uma tarifa de 30% contra o bloco europeu, mas aceitou reduzir a alíquota para 15% após o compromisso da UE de investir US$ 600 bilhões (cerca de R$ 3,27 trilhões) nos EUA e comprar US$ 750 bilhões (aproximadamente R$ 4,09 trilhões) em recursos energéticos norte-americanos, sobretudo combustíveis fósseis, ao longo de três anos.

Entretanto, no último sábado (17/01), Trump impôs uma tarifa adicional de 10% a oito países da Europa, elevando a taxa para 25% em sua totalidade, para ser aplicada em 1º de junho. As nações mencionadas pelo republicano foram: Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Suécia.

Nesta quarta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o mandatário norte-americano disse que não pretender “usar a força” para tomar a Groenlândia. Contudo, informou que está à procura de “negociações imediatas” para adquirir o território e assegurou que “não vai esquecer” se os europeus se negarem a ceder “esse grande pedaço de gelo” aos EUA. O discurso global de Trump foi marcada por críticas às lideranças europeias e à atuação da OTAN que, segundo ele, “nada” fizeram a Washington.

Em seguida, em resposta à decisão europeia, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, criticou o bloco de usar a questão da Groenlândia como “desculpa” para suspender o acordo comercial. Para ele, “os EUA e a UE têm — e sempre terão — uma série de questões da política externa e econômica que estão fora do escopo do acordo”.

“Se os EUA conseguem separar questões importantes, mas não relacionadas, a UE não deveria usá-las como desculpa para não cumprir o acordo”, disse Greer, em um comunicado enviado ao jornal Financial Times.

(*) Com Ansa