Parlamento Europeu reage a Trump e congela acordo comercial com EUA
Legislativo da União Europeia acusou republicano de usar tarifas para ‘exercer pressão política’ e forçar venda da Groenlândia
O Parlamento Europeu paralisou nesta quarta-feira (21/01) a tramitação do acordo comercial com os Estados Unidos em resposta às recentes ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, de impor tarifas adicionais a países do bloco que confrontarem seus planos de anexar a Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca – esta que é, por sua vez, membro da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
A confirmação foi feita pelo presidente da Comissão de Comércio Internacional do Legislativo da UE, o social-democrata Bernd Lange. A medida já havia sido antecipada, no dia anterior, pelo deputado Manfred Weber, líder do conservador Partido Popular Europeu (PPE), maior bancada na Eurocâmara.
De acordo com Lange, ao anunciar taxas alfandegárias contra países europeus que enviaram soldados à Groenlândia, Trump “rompeu” o pacto firmado em julho de 2025, na Escócia, “usando tarifas para exercer pressão política” e forçar a venda da ilha ártica.
“É por isso que fomos muito claros: o procedimento permanecerá suspenso até que haja clareza sobre a Groenlândia e essas ameaças”, disse.

Trump impôs tarifas de 10% aos países da OTAN
The White House
O texto que estava previsto para ser ratificado pelo Parlamento da UE na próxima semana estabelece uma tarifa de 15% para a exportação de produtos europeus aos Estados Unidos. Por sua vez, os norte-americanos contariam com um regime de tarifa zero para acessar o mercado europeu em determinadas categorias.
Inicialmente, em julho passado, Trump anunciou uma tarifa de 30% contra o bloco europeu, mas aceitou reduzir a alíquota para 15% após o compromisso da UE de investir US$ 600 bilhões (cerca de R$ 3,27 trilhões) nos EUA e comprar US$ 750 bilhões (aproximadamente R$ 4,09 trilhões) em recursos energéticos norte-americanos, sobretudo combustíveis fósseis, ao longo de três anos.
Entretanto, no último sábado (17/01), Trump impôs uma tarifa adicional de 10% a oito países da Europa, elevando a taxa para 25% em sua totalidade, para ser aplicada em 1º de junho. As nações mencionadas pelo republicano foram: Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Suécia.
Nesta quarta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o mandatário norte-americano disse que não pretender “usar a força” para tomar a Groenlândia. Contudo, informou que está à procura de “negociações imediatas” para adquirir o território e assegurou que “não vai esquecer” se os europeus se negarem a ceder “esse grande pedaço de gelo” aos EUA. O discurso global de Trump foi marcada por críticas às lideranças europeias e à atuação da OTAN que, segundo ele, “nada” fizeram a Washington.
Em seguida, em resposta à decisão europeia, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, criticou o bloco de usar a questão da Groenlândia como “desculpa” para suspender o acordo comercial. Para ele, “os EUA e a UE têm — e sempre terão — uma série de questões da política externa e econômica que estão fora do escopo do acordo”.
“Se os EUA conseguem separar questões importantes, mas não relacionadas, a UE não deveria usá-las como desculpa para não cumprir o acordo”, disse Greer, em um comunicado enviado ao jornal Financial Times.
(*) Com Ansa























