O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (08/09) a entrada do Peru no “Escudo das Américas”, iniciativa promovida pelo governo de Donald Trump para ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado, reunindo governos direitistas da América Latina alinhados a Washington.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, está na Colômbia como parte de uma viagem que também passará pelo Peru e pelo Equador nos próximos dias. Os três países são comandados por governos de extrema direita próximos à Casa Branca.
Ainda nesta quinta-feira (10/09), Rubio deve se encontrar com presidente peruana, Keiko Fujimori. Ela assumiu o cargo no fim de julho e deste ano, e durante sua campanha eleitoral sinalizou interesse em participar da articulação internacional de combate ao crime.
Em um artigo de Rubio publicado por veículos de comunicação dos países visitados durante a viagem, o secretário afirmou que os governos estão unindo esforços para enfrentar ameaças transnacionais e regionais. Na publicação, ele deu as boas-vindas ao Peru ao Escudo das Américas e classificou o país como um importante aliado extra-Otan.
O Peru vive sua mais grave crise de segurança desde o conflito armado interno, entre 1980 e 2000. O país enfrenta o crescimento de grupos criminosos envolvidos em extorsões, sequestros e assassinatos por encomenda.
Além disso, a atual mandatária prometeu durante sua campanha adotar medidas rigorosas para conter o avanço da criminalidade.

O Escudo das Américas foi criado pelo governo de Donald Trump, em março deste ano, para reunir países da América Latina e do Caribe no combate ao crime organizado, ao narcotráfico e a imigração irregular. A iniciativa também busca ampliar a atuação de Washington no Hemisfério Ocidental e conter a influência de países como a China.
Logo, a estratégia pelo mandatário norte-americano como uma atualização da Doutrina Monroe, rebatizada por seu governo como “Doutrina Donroe”.
Por meio do Escudo das Américas, os países participantes compartilham informações e ampliam a cooperação judicial para combater organizações criminosas que operam além das fronteiras nacionais.
Entre os integrantes estão Argentina, Equador e El Salvador. Países considerados estratégicos no combate ao narcotráfico, como Brasil e México, não aderiram à iniciativa.
Além disso, em seu artigo, Rubio criticou a presença econômica da China no Peru. O país asiático é o principal parceiro comercial do país andino.
De acordo com o secretário norte-americano, projetos financiados pelo Partido Comunista Chinês desrespeitam normas legais do Peru e colocam em risco a transparência e a segurança de dados. Em contraste, afirmou que empresas privadas dos Estados Unidos estão levando ao país investimentos abertos que protegem os interesses de segurança do Hemisfério Ocidental.