Quinta-feira, 14 de maio de 2026
APOIE
Menu

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que laços econômicos do país com os Estados Unidos passaram a representar uma vulnerabilidade que precisa ser corrigida por seu governo. “Muitas de nossas antigas forças, baseadas em nossos laços próximos com a América, tornaram-se fraquezas que devemos corrigir”, disse.

A declaração foi feita em vídeo oficial, de 10 minutos, divulgado nesta segunda-feira (20/04) nas redes sociais. Nele, o premiê canadense detalha medidas para diversificar parcerias comerciais e atrair novos investimentos internacionais ao Canadá. “Este é o nosso país, é o nosso futuro e nós decidimos o que acontece a seguir”, afirmou.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Segundo Carney, o cenário global se tornou mais instável e fragmentado, exigindo uma revisão profunda da dependência econômica canadense em relação aos EUA. “O mundo é mais perigoso e dividido”, disse. “Os EUA mudaram fundamentalmente sua abordagem ao comércio, elevando suas tarifas a níveis vistos pela última vez durante a Grande Depressão.”

Ele destacou que as tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, afetam diretamente setores chaves da economia canadense como as indústrias automotiva e siderúrgica. Disse ainda que o ambiente de incerteza tem levado empresas a adiar investimentos no país.

Mais lidas

Carney enfatizou a necessidade de autonomia estratégica do país. “Temos que cuidar de nós mesmos porque não podemos contar com um parceiro estrangeiro”, declarou.

‘Esperança não é um plano’

Recentemente, Trump sugeriu que o país poderia se tornar o “51º estado” norte-americano. Segundo Carney, aguardar uma eventual normalização das políticas dos EUA não é uma estratégia viável: “esperança não é um plano e a nostalgia não é uma estratégia.”

“Não podemos controlar a perturbação vinda dos nossos vizinhos. Não podemos controlar nosso futuro na esperança de que ele pare de repente. Podemos controlar o que acontece aqui. Podemos construir um país mais forte que resista a interrupções do exterior”, afirmou o premiê.

“A segurança não pode ser alcançada ignorando o óbvio ou minimizando as ameaças reais que nós, canadenses, enfrentamos”, acrescentou, ao prometer: “nunca vou adoçar nossos desafios”.

O discurso ocorre poucos dias após Carney consolidar um governo majoritário e sob pressão da oposição conservadora para a revisão do acordo de livre comércio entre Canadá, Estados Unidos e México, previsto para julho.

Paralelamente, o premiê anunciou planos para ampliar investimentos, dobrar a capacidade de energia limpa, reduzir barreiras comerciais internas e aumentar os gastos com defesa, além de medidas para diminuir impostos e enfrentar a crise habitacional.

As declarações dialogam com posicionamento do premiê expresso em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, quando ele criticou a coerção econômica exercida por grandes potências, provocando a reação direta de Trump.

Na época, Trump respondeu: “O Canadá vive por causa dos Estados Unidos. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações.”