Premiê canadense reafirma soberania do país diante dos EUA: 'nós decidimos o que acontece'
Mark Carney retoma críticas contra administração Trump e promete novas parcerias comerciais, denunciando tarifas e ameaças de Washington
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que laços econômicos do país com os Estados Unidos passaram a representar uma vulnerabilidade que precisa ser corrigida por seu governo. “Muitas de nossas antigas forças, baseadas em nossos laços próximos com a América, tornaram-se fraquezas que devemos corrigir”, disse.
A declaração foi feita em vídeo oficial, de 10 minutos, divulgado nesta segunda-feira (20/04) nas redes sociais. Nele, o premiê canadense detalha medidas para diversificar parcerias comerciais e atrair novos investimentos internacionais ao Canadá. “Este é o nosso país, é o nosso futuro e nós decidimos o que acontece a seguir”, afirmou.
Segundo Carney, o cenário global se tornou mais instável e fragmentado, exigindo uma revisão profunda da dependência econômica canadense em relação aos EUA. “O mundo é mais perigoso e dividido”, disse. “Os EUA mudaram fundamentalmente sua abordagem ao comércio, elevando suas tarifas a níveis vistos pela última vez durante a Grande Depressão.”
Ele destacou que as tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, afetam diretamente setores chaves da economia canadense como as indústrias automotiva e siderúrgica. Disse ainda que o ambiente de incerteza tem levado empresas a adiar investimentos no país.
Carney enfatizou a necessidade de autonomia estratégica do país. “Temos que cuidar de nós mesmos porque não podemos contar com um parceiro estrangeiro”, declarou.
This is our country, and we decide what happens next. pic.twitter.com/Z9yLhaigPF
— Mark Carney (@MarkJCarney) November 1, 2025
‘Esperança não é um plano’
Recentemente, Trump sugeriu que o país poderia se tornar o “51º estado” norte-americano. Segundo Carney, aguardar uma eventual normalização das políticas dos EUA não é uma estratégia viável: “esperança não é um plano e a nostalgia não é uma estratégia.”
“Não podemos controlar a perturbação vinda dos nossos vizinhos. Não podemos controlar nosso futuro na esperança de que ele pare de repente. Podemos controlar o que acontece aqui. Podemos construir um país mais forte que resista a interrupções do exterior”, afirmou o premiê.
“A segurança não pode ser alcançada ignorando o óbvio ou minimizando as ameaças reais que nós, canadenses, enfrentamos”, acrescentou, ao prometer: “nunca vou adoçar nossos desafios”.
O discurso ocorre poucos dias após Carney consolidar um governo majoritário e sob pressão da oposição conservadora para a revisão do acordo de livre comércio entre Canadá, Estados Unidos e México, previsto para julho.
Paralelamente, o premiê anunciou planos para ampliar investimentos, dobrar a capacidade de energia limpa, reduzir barreiras comerciais internas e aumentar os gastos com defesa, além de medidas para diminuir impostos e enfrentar a crise habitacional.
As declarações dialogam com posicionamento do premiê expresso em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, quando ele criticou a coerção econômica exercida por grandes potências, provocando a reação direta de Trump.
Na época, Trump respondeu: “O Canadá vive por causa dos Estados Unidos. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações.”























