Presidente do México diz que ameaças de Trump causam 'mais violência': 'não servem para nada'
Claudia Sheinbaum afirmou que a 'soberania é intocável', ainda que haja espaço para coordenação bilateral no combate ao narcotráfico
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, rejeitou o uso da força como forma de combater o narcotráfico, comentando as ameaças de seu homólogo norte-americano, Donald Trump, de atacar os cartéis naquele país por terra. “Como dizemos, mais violência não ajuda. Temos que trabalhar juntos e os resultados virão”, declarou neste domingo (11/01) durante um comício no estado de Michoacán.
Diante de milhares de moradores desta cidade portuária, incluindo membros do sindicato dos mineiros, ela reafirmou que a soberania e a independência são inegociáveis.
Nesse contexto, a presidente afirmou que “a quantidade de fentanil que atravessa a fronteira do México para os EUA foi reduzida pela metade graças ao trabalho realizado”. Ela também observou que Washington precisa trabalhar “para reduzir o consumo; precisa conscientizar os jovens para prevenir tanto vício em drogas”.
Sheinbaum enfatizou que, embora a colaboração e a coordenação com os EUA sejam necessárias, “há uma coisa que é inegociável, e essa é a soberania, a independência de nossa nação”. “Mas que fique sempre claro, e é assim que seu presidente agirá, não tenham dúvidas: nós coordenamos e colaboramos com os Estados Unidos, mas nunca nos submetemos a eles, e a independência é inegociável”, concluiu ela.
As ameaças de Trump
Na quinta-feira (08/01), Donald Trump declarou que seu país realizará ataques terrestres contra os cartéis de drogas, após ataques marítimos no leste do Oceano Pacífico e no Mar do Caribe.
“Vamos começar a atacar os cartéis no terreno agora mesmo. Os cartéis controlam o México. É muito triste ver o que aconteceu naquele país, mas os cartéis o controlam e estão matando entre 250.000 e 300.000 pessoas todos os anos”, disse ele em entrevista ao apresentador da Fox News, Sean Hannity. “Erradicamos 97% das drogas que entram pelo mar”, continuou o republicano, observando que os EUA fizeram “um ótimo trabalho”.
Horas depois da operação militar dos EUA contra a Venezuela, que terminou com o sequestro de seu líder, Nicolás Maduro, o líder da Casa Branca alertou que o México, assim como Cuba e Colômbia, poderiam ser os próximos alvos de Washington. Ele também declarou sua disposição de “fazer algo em relação ao México”, afirmando, sem apresentar qualquer prova, que os cartéis de drogas estão no poder no país.
(*) com RT em espanhol























