A cinco semanas das eleições legislativas dos Estados Unidos, o Partido Republicano está sendo obrigado a ampliar seus custos de campanha para manter suas cadeiras no Capitólio. A disputa em 3 de novembro definirá o controle da Câmara dos Representantes e do Senado durante os dois últimos anos de governo Trump.
Na Câmara dos Representantes, o cenário tornou-se mais favorável aos democratas na última semana. O Cook Political Report revisou 15 disputas, incluindo três cadeiras atualmente controladas pelos republicanos — na Carolina do Norte, Texas e Flórida — que passaram a ser classificadas como “tossups”, ou seja, sem vantagem clara para nenhum dos lados.
Com as mudanças, 22 distritos estão agora nesta categoria. Dezesseis delas pertencem atualmente aos republicanos e seis aos democratas. A situação é ainda mais desfavorável no Arizona, Califórnia, Nebraska e Nova Jersey, quatro cadeiras que atualmente pertencem ao partido e que o Cook já classifica como de vantagem democrata. Nas três primeiras, os atuais deputados republicanos não concorrem à reeleição; em Nova Jersey, Thomas Kean Jr. tenta manter seu mandato.
A pressão também se espalhou pelo mapa do Senado. Além das disputas mais competitivas, os republicanos passaram a direcionar atenção para estados como Iowa, Ohio, Nebraska, Kansas e até o Alasca.
A economia tornou-se uma das principais fontes de pressão sobre o governo Trump na reta final da campanha. O preço médio nacional do galão de gasolina chegou a US$ 4,48 no domingo (27/09), quase US$ 0,40 acima do registrado um mês antes.
A guerra contra o Irã também aparece como um problema eleitoral: pesquisa NYT/Siena, divulgada na semana passada, apontou que 66% dos eleitores desaprovam a condução do conflito pelo presidente norte-americano, cuja aprovação total despencou para 32%.

O dinheiro tornou-se uma das principais armas republicanas para tentar conter as dificuldades eleitorais. Segundo o New York Times, o Comitê Nacional Republicano do Senado (NRSC) informou reservadamente a doadores que necessita de US$ 7,7 milhões para reforçar seus candidatos em Iowa e Ohio e outros US$ 1,2 milhão para o Alasca.
Em Nebraska, um grupo ligado ao principal super PAC republicano para o Senado já destinou quase US$ 10 milhões à disputa. O caso mais oneroso é o Texas, onde o Senate Leadership Fund, principal super PAC republicano, reservou US$ 125 milhões em publicidade no estado, enquanto o MAGA Inc., ligado a Trump, destinou outros US$ 20 milhões.
Segundo uma fonte a par das discussões internas ouvida pelo jornal, o custo total da disputa texana pode chegar a US$ 200 milhões. A vantagem financeira também aparece na publicidade. Dados da AdImpact mostram que os republicanos reservaram US$ 51,9 milhões para anúncios de televisão e rádio no Texas e em Ohio nesta semana, contra US$ 10,2 milhões dos democratas.
Na Carolina do Norte e na Geórgia, porém, ocorre o contrário: os democratas planejam gastar quase US$ 6 milhões e US$ 4,2 milhões, respectivamente, enquanto os republicanos reservaram US$ 3,7 milhões na Carolina do Norte e US$ 3,1 milhões na Geórgia.
No Texas, o democrata James Talarico enfrenta o desafio de mobilizar o eleitorado negro na disputa pelo Senado dos Estados Unidos contra o republicano Ken Paxton. Segundo NYT, o democrata obtém vantagem, apesar de os eleitores negros terem apoiado majoritariamente a deputada Jasmine Crockett nas primárias do partido.
A vantagem, entretanto, não elimina o problema da participação eleitoral. Consultores políticos ouvidos pelo jornal norte-americano afirmam que, para ter condições de conquistar uma cadeira que há décadas não é vencida por um democrata no Texas, Talarico precisa não apenas obter a maioria dos votos entre os negros, mas garantir um comparecimento elevado às urnas.
O Texas possui cerca de 2,7 milhões de eleitores negros, segundo dados do Pew Research Center, com grandes comunidades em Houston, Fort Worth, Dallas e no leste do estado. Nos últimos anos, os democratas registraram sinais de afastamento de parte do eleitorado negro, seja pela abstenção, seja pelo voto em Donald Trump em 2024.
A deputada estadual Jolanda Jones afirmou que eleitores negros que votam com menor frequência têm a percepção de que sua situação pouco muda independentemente de democratas ou republicanos vencerem. Já Cliff Walker, consultor da campanha de Talarico, reconheceu que o Partido Democrata ainda precisa trabalhar para reconstruir a confiança desse eleitorado.