A Rússia e a China defenderam nesta nesta terça-feira (15/09) a desmilitarização do espaço, após o secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Troy E. Meink, ter afirmado na segunda-feira (14/09) que Washington posicionou armas na órbita da Terra. Apesar de ser a primeira vez em que o Pentágono confirma esse tipo de armamento, não foram fornecidos detalhes sobre o tipo de armamento ou quando foi implantado.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que o espaço deve estar livre da implantação de qualquer tipo de armamento, e enfatizou que Moscou continuará a defender essa posição. “Acreditamos que o espaço deve estar livre de qualquer tipo de armamento. E, claro, nesse sentido, esperamos uma ampla cooperação internacional para continuarmos trabalhando e promovendo posições em favor da desmilitarização total do espaço”, explicou.
Nesse sentido, Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou também na terça-feira, em resposta a uma pergunta sobre os comentários de Meink, que a China se opõe a uma “corrida armamentista no espaço sideral”. “Instamos os Estados Unidos a interromper a expansão de suas forças militares e a se preparar para uma guerra no espaço sideral”, disse ele em uma coletiva de imprensa regular.
Durante uma convenção em Maryland, de acordo com um comunicado de imprensa publicado no site da Força Aérea norte-americana, Meink declarou que os Estados Unidos estão “aumentando o nível de prontidão contra as ameaças existentes”, dessa forma, possuindo “armas de controle espacial em órbita capazes de defender as Forças Conjuntas contra ações hostis de adversários”, disse.
Nos últimos anos, a Força Aérea começou a desenvolver “armas que causam poucos detritos”, capazes de interromper ou desativar satélites inimigos, segundo Frank Kendall, ex-secretário da Força Aérea durante o governo Joe Biden, em entrevista ao The Times em 2024.
Kendall afirmou ainda que era prudente reconhecer que o espaço “é um local que pode ser usado para obter vantagem militar”, e que “a ameaça existe” e “é uma área em que precisamos ser competitivos”.
O general Chance Saltzman, que atuou como chefe de operações espaciais da Força Espacial durante os governos Biden e o segundo mandato de Trump, também declarou a uma comissão do Senado em 2023 que “os novos sistemas de armas espaciais estariam totalmente operacionais até 2026”.