Secretário de Guerra dos EUA sugere 'OTAN 3.0' e cobra mais gastos da Europa
Pete Hegseth afirmou que aliança militar perdeu 'rumo' na era pós-Guerra Fria e que aliados precisam 'se mobilizar'
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou nesta quinta-feira (18/06) que a nova fase da OTAN implica uma mudança de modelo em direção a uma aliança mais robusta.
“A aliança 3.0 é o reconhecimento, após o período pós-Guerra Fria, de que é necessário retornar a ser uma verdadeira aliança militar intransigente”, afirmou ele em uma declaração conjunta com o secretário-geral da organização, Mark Rutte, antes de uma reunião de ministros da defesa aliados em Bruxelas, na Bélgica.
Hegseth explicou que isso implica que o bloco possui “capacidades militares reais capazes de dissuadir […] e assumir a liderança na defesa convencional da Europa”. Além disso, o secretário também pediu aos membros europeus que “intensifiquem seus esforços”.
“A Europa não estava destinada a ser uma dependência dos Estados Unidos. Não era isso que Winston Churchill, Charles de Gaulle ou Konrad Adenauer queriam ou esperavam. Não, a Europa estava destinada a ser uma potência militar aliada a uns Estados Unidos fortes”, afirmou ele durante uma reunião de ministros da Defesa da OTAN na Bélgica.
Como parte disso, ele observou que Washington investirá US$ 1,5 bilhão em sua própria defesa até 2027, enviando “uma mensagem ao mundo” de que o país está construindo um “arsenal da liberdade” que não apenas “protege” os interesses americanos, mas também “apoia a força da OTAN e de nossos aliados”. Ao mesmo tempo, ele instou os países europeus a “fazerem mais”.
Segundo o alto funcionário, “essa é a essência da OTAN 1.0”. “Como o próprio Dwight Eisenhower disse em 1951: ‘Se em dez anos todas as tropas americanas estacionadas na Europa para fins de defesa nacional não tiverem retornado aos Estados Unidos, então todo esse processo terá fracassado.’ […] Ele e seus homólogos aliados, todos ainda vivendo sob a sombra da Segunda Guerra Mundial, entendiam que o poder da OTAN não vinha de comitês, reuniões ou bandeirinhas em mesas bonitas. Vinha de guerreiros”, relatou ele.
No entanto, Hegseth argumentou que “esse espírito se dissipou após o fim da Guerra Fria”. “Ao mudar seu foco da defesa da Europa, a OTAN 2.0 passou a se voltar para operações fora da região e para questões que nada tinham a ver com guerra. Em vez de tanques, caças e defesas aéreas, o foco mudou para igualdade de gênero, mudanças climáticas e austeridade na defesa.”
“A OTAN perdeu o rumo. A OTAN 2.0 foi uma era de distração, desindustrialização e desmilitarização. Foi um período de vale-tudo. E esses foram anos perdidos aos quais não retornaremos”, afirmou ele.
“Nossos aliados precisam se mobilizar”, continuou Hegseth. “O presidente [Donald] Trump tem sido muito claro sobre esse ponto há muitos anos e ao longo de mais de duas administrações. E por muito tempo, a OTAN foi um tigre de papel e uma via de mão única. Isso acabou”, alertou ele.
A este respeito, ele instou a aliança a ser transformada novamente numa verdadeira aliança militar focada no poder coercitivo e na dissuasão real.
“É por isso que restabelecemos os níveis de tropas americanas na Europa aos níveis anteriores a 2022, com o redesdobramento de uma brigada de combate no ano passado e uma redução adicional de 5.000 soldados no início deste ano. […] Para que a aliança retorne às suas raízes como uma aliança militar e para garantir que ela tenha força europeia”, concluiu.
(*) Com RT em espanhol
























