Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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O avanço da guerra comercial promovida pelo governo de Donald Trump contra o Canadá começou a gerar preocupação com os efeitos sobre os consumidores dos Estados Unidos.

As tarifas impostas por Washington, que chegaram a 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 103 bilhões) em produtos canadenses, foram seguidas por medidas de retaliação de Ottawa e podem pressionar os preços de mercadorias que fazem parte do cotidiano dos norte-americanos.

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O temor está relacionado à forte integração entre as duas economias. Matérias-primas, peças e produtos atravessam diariamente a fronteira entre os países, o que significa que uma tarifa aplicada sobre um produto importado pode aumentar os custos de produção e, consequentemente, chegar ao consumidor final.

Em resposta, nesta terça-feira (25/08), o primeiro-ministro canadense Mark Carney anunciou tarifas de até 50% sobre produtos norte-americanos, com início previsto para 8 de setembro, em uma tentativa de igualar as recentes medidas impostas por Trump, em meio ao fracasso das negociações.

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Papel higiênico expõe dependência entre os países

Logo, os produtos de higiene básica estão afetando os norte-americanos, já que o Canadá incluiu papel higiênico e lenços de papel na lista de mercadorias que poderão sofrer tarifas de até 50%. Vale ressaltar que o impacto das tarifas é sentido pelos Estados Unidos porque, embora boa parte do papel consumido no país seja produzida internamente, a indústria depende de matérias-primas do Canadá.

Segundo o jornal Guardian, em 2024, os Estados Unidos importaram US$ 328 milhões em papel higiênico canadense, tornando o país o principal fornecedor estrangeiro do produto para o mercado norte-americano.

A dimensão do possível impacto também está relacionada ao elevado consumo norte-americano. Os Estados Unidos respondem por mais de um quinto do consumo mundial de papel higiênico, apesar de concentrarem apenas uma pequena parcela da população global.

Retaliação atinge setores estratégicos

No entanto, o tarifaço imposto pelo Canadá não se limita apenas aos papéis, mas também às bebidas alcoólicas, aos laticínios, aos peixes e frutos do mar, que estão entre os setores afetados pela resposta de Ottawa.

As bebidas canadenses já enfrentam tarifas de 50% nos Estados Unidos, enquanto províncias do Canadá adotaram restrições à comercialização de bebidas estadunidenses como resposta às medidas de Washington.

O setor de laticínios também entrou no conflito, já que Trump aplicou tarifas de 50% sobre praticamente todos os produtos lácteos canadenses, com exceção do queijo. Em resposta, o Canadá aplicou uma tarifa de 50% sobre produtos lácteos norte-americanos e de 25% sobre queijos dos Estados Unidos.

Peixes e frutos do mar estadunidenses, incluindo lagosta congelada, também foram incluídos na retaliação canadense. A medida provocou críticas dentro dos próprios Estados Unidos, inclusive da senadora republicana Susan Collins, do Maine, um dos principais estados produtores de lagosta.

Presidente dos EUA< Donald Trump

Integração entre as economias torna empresas e consumidores mais vulneráveis à escalada das tarifas
the white house

Setor de automóveis

Ainda assim, outro setor especialmente sensível é o automobilístico. As cadeias de produção da América do Norte são altamente integradas, e fabricantes norte-americanos utilizam componentes produzidos no Canadá para montar veículos nos Estados Unidos.

Trump já ameaçou elevar para 50% as tarifas sobre carros e autopeças canadenses caso os dois países não cheguem a um acordo até 1º de janeiro de 2027.

A escalada aumenta a incerteza para empresas e consumidores dos dois lados da fronteira. Enquanto governos e setores empresariais discutem os possíveis efeitos sobre preços, empregos e cadeias de abastecimento, a administração Trump afirma que as tarifas não terão impacto relevante sobre os consumidores americanos.

Porém, a disputa coloca em evidência uma contradição: quanto mais os dois países elevam as barreiras comerciais, maior é o risco de encarecimento justamente em uma relação econômica marcada por décadas de integração.