Sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
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O mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30/01) Kevin Warsh como o próximo presidente do Federal Reserve (Fed). Pela plataforma Truth Social, o republicano disse conhecer o nome indicado “há muito tempo” e garantiu que “será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed, talvez o melhor”. A indicação ainda deverá ser confirmada pelo Senado.

A medida encerra meses de especulações sobre quem o presidente norte-americano escolheria para substituir Jerome H. Powell como chefe do banco central dos Estados Unidos. A nomeação ocorre no âmbito da disputa entre Trump e Powell, a quem o republicano atacou continuamente por resistir às suas exigências de cortes significativos nas taxas de juros. Anteriormente, os aliados de Trump passaram meses acusando o Fed de má gestão das reformas bilionárias. Inclusive, o próprio mandatário ameaçou repetidamente entrar com ações judiciais e até cogitou sua demissão.

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Em 12 de janeiro, o gabinete do procurador norte-americano no Distrito de Columbia abriu uma investigação criminal contra Powell devido à reforma da sede do banco central em Washington e por supostamente ter mentido ao Congresso sobre o escopo do projeto. Na ocasião, Powell reconheceu que o Departamento de Justiça havia notificado o Fed com intimações do grande júri dias antes. Ele descreveu a investigação como “sem precedentes” e questionou a motivação da medida, ao defender que desempenhou suas funções como presidente do órgão “sem medo ou favorecimento político”.

“A ameaça de acusações criminais é uma consequência do fato de o Fed definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente“, argumentou. “Trata-se de saber se o Fed será capaz de continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas — ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”.

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Kevin Warsh é indicado pelo governo dos Estados Unidos para substituir Jerome Powell e assumir presidência do Fed
Reprodução/BGNES

Quem é Kewin Warsh?

Kevin Warsh, novaiorquino de 55 anos, foi assistente especial para política econômica de 2002 a 2006 e atuou como governador do Fed entre 2006 e 2011, período que incluiu o colapso do Lehman Brothers. Ele atuou nas negociações entre o Tesouro, o banco central e grandes instituições financeiras, e consolidou laços com Wall Street.

Atualmente, Warsh leciona na Stanford Graduate School of Business e assume funções na empresa de correio UPS, na empresa sul-coreana de comércio por aplicativo Coupang e no Duquesne Family Office, de investimentos do bilionário Stanley Druckenmiller.

Ele é casado com Jane Lauder, neta do magnata dos cosméticos Estée Lauder e filha de Ronald Lauder, empresário bilionário que tem interesses na Groenlândia e incentivou Trump a tentar anexar o território.

Em 2017, Warsh já havia feito uma entrevista para o cargo na presidência do Fed, mesmo ano em que Powell assumiu o posto, e cujo mandato expira em maio. 

Warsh já alertou sobre os riscos de inflação nos Estados Unidos anteriormente, embora mais recentemente tenha criticado o Fed, assim como Trump, pela lentidão do órgão em cortar as taxas de juros. Ele é um crítico de longa data da política monetária flexível adotada pelo banco desde a crise financeira.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, o dólar já tinha se fortalecido no início desta sexta-feira após o noticiamento de que Warsh era esperado como escolha de Trump. O ouro caiu 4,8%, atingindo US$ 5.132 por onça.