Trump assina ordem para diminuir doses vacinais a crianças nos Estados Unidos
Medida diminui de 18 para 11 imunizantes aplicados a menores; em meio ao maior surto de sarampo em 30 anos, presidente alega estar ‘combatendo epidemia de autismo’ e ‘defendendo direitos dos pais’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (10/08) uma ordem executiva que recomenda a implementação de um novo calendário de vacinas, o qual contemplará menos doses às crianças.
Outra mudança indicada na ordem da Casa Branca diz respeito à administração da vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola), que deixará de ser aplicada em dose única, e sim em doses separadas dos imunizantes de cada doença.
A partir da nova ordem, o calendário de vacinação para crianças de 0 a 10 anos nos Estados Unidos, que conta com 18 doses de diferentes imunizantes – e que segue protocolo estabelecido pela Academia Norte-Americana de Pediatria (AAP, por sua sigla em inglês) –, passaria a ter apenas 11.
As vacinas que são recomendadas para todas as crianças, de acordo com a ordem, são contra sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, hemophilus influenzae tipo B, doença pneumocócica, papilomavírus humano e varicela (ou catapora).
Na cerimônia em que se realizou a firma do documento, junto ao secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., Trump enfatizou que a ordem executiva não impõe um novo calendário, apenas recomenda tais mudanças, mas justifica a decisão com o argumento de que algumas vacinas teriam gerado uma suposta “epidemia de autismo” no país.
“Décadas atrás, as crianças recebiam apenas uma pequena fração das vacinas necessárias hoje em dia (…) naquela época, as pessoas eram muito mais saudáveis e, é claro, as altas taxas de autismo observadas atualmente não existiam”, alegou o mandatário.
A cerimônia terminou com uma coletiva à imprensa local, na qual Trump negou que seu governo seja “contra as vacinas”, mas afirmou que a medida visa defender “o direito de escolha dos pais”.
“Estamos dando aos pais a possibilidade de escolher como preferem proteger seus filhos, de acordo com o que eles acreditam, não estamos proibindo o acesso às vacinas infantis”, frisou o presidente norte-americano.
Crise sanitária
A medida vem à tona em meio ao maior surto de sarampo vivido nos Estados Unidos nos últimos 30 anos, com mais de 2,3 mil casos da doença registrados desde o início deste ano.

Donald Trump e o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr.
Casa Branca
Tal crise sanitária tem gerado controvérsia pelo fato de que a doença era considerada “erradicada” no país no início deste século, mas acabou voltando à tona a partir do crescimento dos grupos antivacina, e ainda mais a partir do segundo mandato de Trump, devido à influência desses setores sobre o secretário de Saúde norte-americano, Robert F. Kennedy Jr.
Entidades como a Associação Norte-Americana de Saúde Pública (APHA, por sua sigla em inglês) e a Sociedade Norte-Americana de Doenças Infecciosas (IDSA, por sua sigla em inglês) afirmam que uma das causas dessa epidemia seria a “política antivacina” do atual governo dos Estados Unidos.
Segundo essas entidades, o secretário Kennedy Jr. estaria promovendo uma política de sucateamento dos chamados Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, por sua sigla em inglês), a qual seria baseada em desfinanciamento e demissões de funcionários, incluindo a outrora diretora da entidade, a microbióloga Susan Monarez, desligada há um ano, em agosto de 2025.























