Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender nesta terça-feira (03/02) que o Partido Republicano “assuma o controle” e “nacionalize” o sistema eleitoral em pelo menos 15 estados antes do pleito de meio período.

Em 4 de novembro, milhões de norte-americanos irão às urnas para eleger os 435 membros da Câmara dos Deputados e um terço dos membros do Senado, além de governadores, prefeitos, legisladores estaduais e autoridades locais.

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O resultado das midterms é considerado um termômetro sobre o apoio da população ao governo em curso e a expectativa é uma derrota republicana, o que Trump busca evitar. Para isso, ele recupera uma retórica, sem qualquer evidência, usada ao longo da campanha em 2024 de que os imigrantes não documentados são uma ameaça à democracia, apesar do contingente populacional não ter direito de votar no país.

Ao lado de parlamentares republicanos, Trump afirmou no Salão Oval que “se os estados não podem contar os votos legal e honestamente, então outra pessoa deveria assumir” essa tarefa. “Olhe para alguns lugares — aquela corrupção horrível nas eleições — e o governo federal não deveria permitir isso. O governo federal deveria se envolver”, frisou.

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“Quero ver as eleições honestas, e se um estado não pode realizar uma eleição, acho que as pessoas que me apoiam deveriam fazer algo a respeito”, afirmou aos republicanos.

‘Assumir o controle’

A declaração no Salão Oval reitera a defesa do controle federal sobre as eleições feitas pelo republicano na segunda-feira (02/01), durante uma entrevista a um podcast, com Dan Bongino, ex-vice-diretor do FBI. “Os republicanos deveriam dizer: ‘queremos assumir o controle’. Devemos assumir a votação, a votação em pelo menos muitos — 15 lugares. Os republicanos deveriam nacionalizar o voto”, disse o presidente dos Estados Unidos.

Trump defende controle federal nas eleições de meio do mandato
White House / Abe McNatt

Ele sustenta que os imigrantes “foram trazidos” para os Estados Unidos para votar e que eles “votam ilegalmente”, o que não há nenhuma comprovação, frisa a imprensa norte-americana. E acrescentou: “temos estados tão corruptos – e eles estão contando votos – temos estados onde eu ganhei, mas que mostram que eu não ganhei (…) Agora, vocês verão algo na Geórgia, onde eles conseguiram, com uma ordem judicial, obter as cédulas. Vocês verão algumas coisas interessantes vindo à tona”.

Diante de várias perdas em disputas locais no ano passado e dos numerosos protestos contra a violência de sua política migratória, Trump tem afirmado repetidamente que os republicanos correm risco de sofrer uma derrota expressiva nas midterms.

Como destaca New York Times, a declaração representa uma “notável escalada da tentativa do presidente de exercer poder sobre o resultado das futuras eleições”. Nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, as eleições são regidas pelas leis estaduais e o processo eleitoral é descentralizado e administrado por regras e autoridades locais. O Departamento de Justiça, aponta a reportagem, vem exigindo a entrega pelos estados de suas listas eleitorais completas para compor um arquivo nacional de eleitores.

Lei SAVE

Na segunda-feira (02/02), a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, tentou enquadrar as declarações do presidente norte-americano como uma referência à Lei SAVE, projeto em tramitação no Congresso norte-americano que busca exigir a comprovação de cidadania para o registro de eleitores.

“O que o presidente estava se referindo é à Lei SAVE, que é uma enorme legislação de bom senso que os republicanos apoiaram, e que o presidente Trump está comprometido a sancionar durante seu mandato”, declarou Leavitt. “Não acho que qualquer pessoa racional que esteja sendo honesta consigo mesma discordaria da ideia de exigir que os cidadãos deste país apresentem uma identidade antes de votar em uma eleição federal ou, francamente, em qualquer eleição”, acrescentou.

A Lei SAVE, destaca a reportagem, não prevê a federalização das eleições. Ela exige que os eleitores apresentem documentos como passaporte ou certidão de nascimento para o registro eleitoral, estipulando punições aos funcionários que não cobrem essas provas. A proposta foi aprovada na Câmara no ano passado, mas está travada no Senado, onde requer o apoio de ao menos sete democratas.

Senadores reagem

Senadores democratas reagiram às declarações. Em nota, Adam Schiff afirmou: “Em seu primeiro mandato, Donald Trump pressionou, ameaçou, coagiu e incitou — tudo na tentativa de fraudar uma eleição e reverter seu resultado para se agarrar ao poder. Não podemos deixar de notar sinais de que ele vai tentar novamente”.

O senador Mark Warner, por sua vez, classificou as declarações como uma ameaça direta à segurança eleitoral: “essa declaração por si só deixa claro que essa ameaça à segurança de nossas eleições, a premissa básica de nossa democracia, é uma ameaça para o futuro, para 2026, para 2028”.
Já o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que a proposta é uma “pílula venenosa”.

“Não sou a favor da federalização das eleições”, disse também o senador republicano John Thune, líder da maioria na Casa legislativa. Ele ressaltou que, embora apoie regras mais rígidas de identificação e comprovação de cidadania, a condução das eleições pelos estados é “uma questão constitucional”.