Trump desmonta comissão eleitoral e Democratas falam em interferência a quatro meses das eleições
Senador Chuck Schumer classificou medida do presidente norte-americano como ‘tentativa descarada’ de assumir controle ‘antes dos votos serem computados’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está sendo acusado de tentar influenciar as próximas eleições de meio de mandato para cargos estaduais e locais após demitir, nesta quinta-feira (09/07), os três últimos membros de uma comissão federal independente e bipartidária que auxilia os estados na administração de suas eleições.
Líderes do Partido Democrata afirmam que estão mobilizados para impedir os esforços do governo de ampliar a interferência federal no processo eleitoral. Segundo eles, Trump pretende paralisar a única agência federal dedicada exclusivamente à administração das eleições, a Comissão de Assistência Eleitoral (EAC, na sigla em inglês), poucos meses antes das eleições de meio de mandato.
O presidente da organização de direitos civis Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, por sua sigla em inglês), Derrick Johnson afirmou que Trump sabe que, nas eleições de novembro, os eleitores rejeitarão tudo o que ele representa. Segundo Johnson, a economia está devastada, “ele está iniciando guerras intermináveis que resultam na morte de americanos, e sua força policial paramilitar, o ICE, está aterrorizando nossas comunidades”.
“Trump teme o poder sagrado que todos nós, como eleitores, detemos, e é por isso que ele quer fraudar esta eleição”, alegou.
Por outro lado, funcionários da Casa Branca classificaram as demissões de Thomas Hicks e Benjamin Hovland, indicados pelos democratas no Congresso para integrar a Comissão de Assistência Eleitoral, e da integrante republicana Christy McCormick como parte da estratégia do governo federal para atuar de forma interinstitucional na proteção das eleições contra fraudes e abusos.
O líder da minoria democrata no Senado dos Estados Unidos, Chuck Schumer, afirmou que a medida seguiu a sugestão do próprio Trump de que os republicanos deveriam “assumir o controle da votação”. Para Schumer, as demissões representam uma “tentativa descarada” de assumir o controle das eleições “antes mesmo de um único voto ser computado”.
“Ele está desmantelando a agência independente que certifica os sistemas de votação e ajuda os funcionários eleitorais a realizar eleições seguras”, afirmou o senador.
Schumer acrescentou ainda que “os democratas do Senado lutarão contra essa tomada de poder em todas as instâncias. O povo americano – e não Donald Trump – decidirá a eleição de 2026”.
Em resposta às críticas, a Casa Branca argumentou que Trump possui autoridade para destituir integrantes de agências independentes que, segundo o governo, não estejam totalmente comprometidos com a segurança das eleições. O governo também citou uma recente decisão da Suprema Corte que ampliou os poderes do presidente para demitir dirigentes de agências independentes.

Eleições de meio de mandato nos Estados Unidos estão previstas para novembro de 2026 e renovarão parte do Congresso
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O que é a Comissão de Assistência Eleitoral?
Criada pela Lei de Ajuda à América para Votar (Help America Vote Act – HAVA), aprovada após a controversa eleição presidencial de 2000, a Comissão de Assistência Eleitoral (EAC, na sigla em inglês) não é responsável por conduzir eleições diretamente. Sua função é distribuir recursos federais destinados à segurança eleitoral, administrar o formulário nacional de registro de eleitores por correspondência, certificar urnas eletrônicas conforme os padrões federais e prestar assistência técnica às autoridades eleitorais estaduais e locais.
Sem um número suficiente de comissários, a EAC fica impedida de deliberar e aprovar medidas formais. Isso impossibilita a atualização dos padrões federais de votação e do formulário nacional de registro de eleitores, o que pode interromper mudanças defendidas pelo governo, como a exigência de comprovação de cidadania para o registro eleitoral, medida que já foi parcialmente bloqueada pelos tribunais.
Além disso, quaisquer novos comissários precisam ser confirmados pelo Senado, um processo que pode se prolongar por meses e ultrapassar o período das eleições de meio de mandato.
























