Trump diz que não irá pedir desculpa a casal Obama sobre video racista: 'não errei'
Presidente dos EUA alegou não ter assistido conteúdo completo; imagens provocaram críticas entre republicanos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou pedir desculpas e afirmou “não ter cometido um erro” ao publicar um vídeo em seu perfil na rede Truth Social que exibe imagens racistas contra o ex-presidente Barack Obama (2009-2017) e ex-primeira-dama Michelle Obama.
O vídeo tem cerca de um minuto e, no final, por cerca de um segundo, mostra os rostos dos Obamas sobrepostos aos corpos de macacos, em imagens feitas por Inteligência Artificial (IA), acompanhadas da música The Lion Sleeps Tonight (The Tokens, 1961).
O conteúdo racista não tem nenhuma conexão clara com o tema principal do conteúdo: uma teoria da conspiração sobre as eleições. A gravação repete alegações falsas já desmentidas sobre a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems, acusada sem provas de ter ajudado a “roubar” a eleição presidencial de 2020, vencida pelo ex-presidente Joe Biden (Partido Democrata) contra Trump. Contudo, Barack e Michelle Obama não têm nenhuma relação com as alegações.
Trump alegou não ter assistido ao vídeo completo antes de um assessor publicá-lo em sua perfil. “Eu não vi a coisa toda. Olhei a primeira parte, e era realmente sobre fraude eleitoral nas máquinas, como é corrupto, como é nojento. Aí eu dei para as pessoas. Em geral, elas olham tudo. Mas acho que alguém não olhou”.
Questionado por jornalistas se condenava o conteúdo racista contra os Obamas, Trump respondeu: “Claro que condeno”. Ainda assim, recusou-se a pedir desculpas. “Eu não cometi um erro. Quero dizer, eu olho um monte, milhares de coisas”, disse, ao rejeitar qualquer responsabilidade direta sobre a publicação.

Trump alegou não ter assistido ao vídeo completo antes de publicá-lo em seu perfil
Official White House Photo by Molly Riley
Mais tarde, Trump reconheceu que o vídeo publicado continha imagens que “as pessoas não gostam” e acrescentou: “Eu também não gostaria”.
A Casa Branca chegou a defender a postagem, mas apagou o conteúdo cerca de 12 horas após sua publicação. Em um primeiro momento, a secretária de imprensa dos EUA Karoline Leavitt descreveu o vídeo como um “meme de internet” inofensivo e enquadrou as críticas como “indignação falsa”. Segundo a representate, o vídeo era um conteúdo que mostrava Trump como “o rei da selva” e o casal Obama como personagens de O Rei Leão [desenho animado da Disney].
À medida que a pressão aumentou, no entanto, um outro integrante do governo adotou uma linha oposta e classificou a postagem como um erro. “Um funcionário da Casa Branca postou erroneamente”, disse o oficial, ao justificar a remoção do conteúdo.
Um assessor de Trump também afirmou que o presidente não havia visto o vídeo antes da postagem e que ordenou a retirada assim que tomou conhecimento do trecho final. Tanto o assessor quanto o oficial evitaram ser identificados.
Críticas republicanas
A publicação provocou críticas inclusive dos republicanos — inclusive aliados próximos de Trump. O senador Tim Scott, da Carolina do Sul, um dos principais nomes negros do Partido Republicano, reagiu publicamente e sugeriu que o conteúdo deveria ser removido. “Rezo para que seja falso porque é a coisa mais racista que eu já vi sair desta Casa Branca. O presidente deveria remover, afirmou”.
Mark Burns, pastor negro e aliado de Trump, afirmou ter falado com o presidente sobre o vídeo e defendeu que o funcionário responsável fosse demitido. A Casa Branca e Trump, por sua vez, não identificaram quem publicou o conteúdo — e o entorno presidencial afirmou que apenas alguns assessores seniores têm acesso direto à conta de Trump na Truth Social.
(*) Com Brasil247
























