Sexta-feira, 22 de maio de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou sua viagem a Pequim nesta sexta-feira (15/05), após dois dias de cúpula com o mandatário da China, Xi Jinping. A visita foi marcada por declarações de aproximação política e promessas de estabilidade estratégica, mas sem anúncios concretos sobre temas centrais da agenda bilateral, como comércio, Taiwan e a guerra no Irã.

Nesta sexta-feira (15/05), eles tiveram um encontro privado em Zhongnanhai. Antes de deixar Pequim a bordo do Air Force One, Trump voltou a elogiar Xi e disse que o relacionamento entre ambos é “muito forte”.

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O presidente norte-americano afirmou que ele e Xi “resolveram muitos problemas diferentes que outras pessoas não conseguiriam resolver”. Embora não tenha detalhado quais acordos teriam sido alcançados, Trump classificou a visita como “incrível” e afirmou que os dois países firmaram “acordos comerciais fantásticos”.

Xi, por sua vez, descreveu a viagem como um marco “histórico e simbólico” e disse que ambos estabeleceram uma nova relação bilateral baseada na “estabilidade estratégica construtiva”. “Alcançamos importantes entendimentos comuns sobre manter laços econômicos e comerciais estáveis, expandir a cooperação prática em vários campos e atender adequadamente às preocupações uns dos outros”, afirmou o líder chinês.

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Agência Xinhua

Irã

Segundo Trump, Washington e Pequim compartilham posições semelhantes sobre a guerra no Irã. “Nós discutimos o Irã. Sentimos algo muito parecido sobre como queremos que termine. Não queremos que eles tenham uma arma nuclear. Queremos o estreito aberto”, afirmou, em referência ao Estreito de Ormuz. Ele chegou a sugerir que Pequim o ajudaria na abertura da passagem marítima.

Na sequência, o Ministério das Relações Exteriores da China divulgou uma posição oficial sobre a “situação do Irã”. O governo chinês afirmou que o conflito “não deveria ter acontecido em primeiro lugar” e alertou para os impactos da guerra sobre o crescimento econômico global, as cadeias de suprimentos e a estabilidade energética mundial.

Pequim defendeu que as rotas marítimas do Golfo sejam reabertas “o mais rápido possível” e insistiu que “diálogo e negociação” são “o caminho certo a seguir”, enquanto o uso da força seria “um beco sem saída”. A diplomacia chinesa confirmou que China e Paquistão apresentaram conjuntamente uma iniciativa de cinco pontos para restaurar a paz e a estabilidade no Oriente Médio.

Segundo Pequim, o cessar-fogo recente entre Estados Unidos e Irã é bem-vindo, mas precisa ser mantido. “Agora que a porta do diálogo foi aberta, ela não deve ser fechada novamente”, declarou o ministério chinês.

Acordos sem confirmação

Apesar das declarações otimistas de Trump, vários dos supostos acordos anunciados permanecem sem confirmação oficial. O presidente norte-americano afirmou que a China concordou em comprar 200 aviões da Boeing, além de ampliar as importações de petróleo e soja dos Estados Unidos. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, também afirmou que os chineses concordaram em comprar dezenas de bilhões de dólares em produtos agrícolas norte-americanos.

No entanto, nem o governo chinês nem a fabricante confirmaram os detalhes mencionados pelo republicano. Porta-vozes chineses limitaram-se a afirmar que os dois lados alcançaram “importantes consensos” e reforçaram que a relação econômica sino-americana deve se basear em “benefício mútuo e cooperação vantajosa para todos”.

Taiwan

Durante as negociações, Xi pediu aos Estados Unidos que tratem a questão de Taiwan com cautela adicional, afirmando que esse é o tema mais importante nas relações entre China e EUA. Ele enfatizou que, se conduzida adequadamente, a relação bilateral terá estabilidade geral. Caso contrário, os dois países poderão enfrentar confrontos e até conflitos.

Observando que a “independência de Taiwan” e a paz entre os dois lados do estreito são “tão irreconciliáveis quanto fogo e água”, Xi afirmou que salvaguardar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan é o maior denominador comum entre China e Estados Unidos.

Trump evitou responder publicamente ao comentário do líder chinês, o que foi interpretado como um sinal de cautela norte-americana diante das tensões envolvendo Taiwan.

Nas redes sociais, o presidente norte-americano também comentou uma observação feita pelo líder chinês sobre um suposto declínio dos Estados Unidos. “Quando o presidente Xi se referiu muito elegantemente aos Estados Unidos como talvez uma nação em declínio, ele se referia ao enorme dano que sofremos durante os quatro anos de Sleepy Joe Biden”, escreveu Trump.