Trump fala em ‘negociações imediatas’ para comprar Groenlândia sem uso da força
Durante discurso em Davos, presidente dos EUA chamou Dinamarca de 'ingrata', além de criticar atuação da OTAN e lideranças europeias
Matéria atualizada às 12h28, 21 de janeiro de 2025
No contexto de seu projeto imperialista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não usará “força” para anexar a Groenlândia, mas revelou estar buscando “negociações imediatas” para adquirir o território, embora a Dinamarca tenha reiterado que a ilha semi-autônoma não está à venda. O comentário foi feito nesta quarta-feira (21/01) em discurso durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
“Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força e poder excessivos, caso em que seríamos, francamente, imparáveis. […] Mas eu não vou fazer isso. Essa é provavelmente a declaração mais importante, porque as pessoas achavam que eu usaria a força. Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não vou usar a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, declarou o republicano.
Em referência à OTAN (Tratado do Atlântico Norte) e aos líderes europeus, Trump criticou que sua nação tem recebido “morte, perturbação”, enquanto envia “quantias massivas de dinheiro para pessoas que não valorizam o que fazemos”. Segundo ele, os Estados Unidos não receberam “nada” do órgão, além de o terem protegido de supostas ameaças da Rússia.
Embora tenha afirmado “enorme respeito” pela população da Groenlândia e da Dinamarca, alegou que “todo membro da OTAN tem a obrigação de defender seu próprio território”.
“Ninguém pode garantir a segurança da Groenlândia além dos Estados Unidos”, insistiu, ao mencionar a Segunda Guerra Mundial, durante a qual, segundo ele, “a Dinamarca caiu para a Alemanha após seis horas de combate”.
“Fomos então obrigados a enviar nossas próprias forças para manter o território da Groenlândia, a um grande custo e despesa”, afirmou, acrescentando que “respeitosamente o devolvemos à Dinamarca não faz muito tempo” e chamando a Dinamarca de “ingrata”.
Porém, vale ressaltar que os Estados Unidos nunca possuíram o território da Groenlândia, pertencente a Copenhague há séculos sob estabelecimento do direito internacional, apesar das bases militares norte-americanas presentes na ilha, por meio de um acordo de segurança firmado durante a Segunda Guerra Mundial.

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça
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Crítica a líderes europeus
Em seu discurso, o presidente norte-americano, que tem escalado as tensões com os países europeus especialmente pelo tema da Groenlândia, disse “amar” o continente, mas que acredita que ele “não está caminhando na direção correta”.
“Não há discussão. Amigos voltam de lugares diferentes – não quero insultar ninguém – e dizem: não te reconheço. E isso não é de forma positiva, é de forma muito negativa. Eu amo a Europa e quero ver a Europa prosperar, mas ela não está indo na direção certa”, afirmou.
Em seguida, Trump atacou a Europa associando seus problemas econômicos à “maior onda de imigração em massa da história” e afirmando que os líderes têm “virado as costas para tudo que faz as nações ricas e poderosas”.
“Muitas partes do nosso mundo estão sendo destruídas e os líderes não entendem o que está acontecendo. Aqueles que entendem não estão fazendo nada a respeito”, afirmou o magnata, citando o “aumento dos gastos governamentais, a migração em massa sem controle e importações estrangeiras intermináveis”.
Por outro lado, elogiou a sua própria economia, dizendo estar “em plena expansão”.
“Os Estados Unidos são o motor econômico do planeta. E quando os Estados Unidos prosperam, o mundo inteiro prospera. Assim tem sido a história”, disse, explicando que “praticamente não há inflação” em seu país e que “as fronteiras são impenetráveis”.
Trump também provocou o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, que no dia anterior afirmou, em Davos, sem mencionar diretamente o magnata, que “ambições imperiais” no cenário global tornavam o mundo “sem regras” e que o direito internacional estava sendo “pisoteado”. O presidente norte-americano então questionou o motivo pelo qual a autoridade francesa fez um discurso com “uns óculos escuros bastante elegantes” (Macron tem, supostamente, infecção ocular).
“Na verdade, eu gosto dele, é difícil de acreditar”, comentou.
No último sábado (17/01), o republicano anunciou que aplicará uma tarifa de 10% a oito membros do bloco europeu a partir de 1º de fevereiro de 2026. Pela plataforma Truth Social, citou os países Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda. “Esta tarifa será devida e pagável até que seja alcançado um acordo para a compra completa e total da Groenlândia”, assegurou.
Trump elogia cooperação com Venezuela
O presidente norte-americano Donald Trump informou nesta quarta-feira (21/01) que os Estados Unidos acabaram de adquirir 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, após os ataques ao país sul-americano que culminou no sequestro do líder Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.
“A Venezuela vai se sair fantasticamente bem”, disse o republicano, alegando que a nação ganhará mais dinheiro do que nos últimos 20 anos. Elogiou ainda, sem citar nomes, a cooperação do governo de Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, que assumiu a Presidência interina nos dias seguintes à agressão norte-americana. “Assim que o ataque terminou, eles disseram: ‘vamos fazer um acordo’. Mais pessoas deveriam fazer isso.”























