Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou o pronunciamento oficial de encerramento do ano, na noite desta quarta-feira (17/12). O discurso ocorre em meio às agressões no Caribe, à pressão interna pela abertura dos arquivos de Jeffrey Epstein e às pesquisas que revelam queda na aprovação do seu governo.

Apesar das reiteradas ameaças verbalizadas contra a Venezuela e da ofensiva, sem precedentes, em curso, o republicano não mencionou o país durante o discurso. Trump falou da guerra com o Irã e exaltou seus esforços diplomáticos em Gaza, repetindo a alegação de que teria encerrado oito guerras desde que retornou ao cargo.

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Como destacou New York Times, a ofensiva militar conduzida por sua própria administração na América Latina já resultou em quase 100 mortes em ataques a embarcações e incluiu promessas públicas de bloqueio naval e ataques terrestres relacionados à Venezuela.

Economia

No pronunciamento, o presidente dos Estados Unidos concentrou sua fala na economia, no combate à imigração, no reforço aos militares e em ataques contra o ex-presidente Joe Biden e os democratas. “Onze meses atrás, herdei uma bagunça e estou consertando isso”, afirmou, ao exibir gráficos e números para sustentar a tese de que a economia estaria em recuperação.

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Ao reportar o discurso, o NYT destacou vários trechos apresentados de forma exagerada, contrastando com indicadores oficiais que mostram uma inflação em torno de 3% e o aumento do desemprego no país, em novembro. Um dos anúncios mais destacados foi o chamado “dividendo guerreiro”, um pagamento único de US$ 1.776 para cerca de 1,4 milhão de militares, que Trump prometeu enviar antes do Natal.

Trump afirmou que os recursos viriam das tarifas aplicadas sobre produtos importados. “Estamos enviando US$ 1.776 para cada soldado. Os cheques já estão a caminho”, disse. O jornal, no entanto, ressaltou que a destinação dessas receitas não cabe ao Executivo, mas ao Congresso, e que as promessas de gastos superam a arrecadação disponível.

Trump foca em economia e não menciona Venezuela durante discurso à nação
Reprodução vídeo / X Casa Branca

Política migratória

Trump fez um contundente discurso contra a imigração no país. Afirmou que administrações passadas “inundaram” cidades e vilarejos com migrantes indocumentados e governaram “em favor de criminosos profissionais e de nações estrangeiras que se aproveitaram do país”, responsabilizando a imigração irregular pela perda de bem-estar, segurança e futuro do povo estadunidense.

Segundo ele, essas políticas teriam destruído as economias das famílias trabalhadoras e promovido a doutrinação de crianças com “ódio aos Estados Unidos”. Ele ter herdado do governo Biden “a pior fronteira do mundo” e que, em poucos meses, conseguiu transformá-la “na mais forte da história do país”.

Declarou ainda que seu governo está “deportando criminosos” e devolvendo a segurança às cidades mais perigosas, além de sustentar que, nos últimos sete meses, “zero migrantes” teriam cruzado a fronteira sul — afirmação sem a apresentação de dados verificáveis. Segundo ele, o país já vive um processo de “migração reversa”, com pessoas que não nasceram nos Estados Unidos retornando a seus países de origem.

Promessas

Ao longo da fala, Trump prometeu uma forte melhora econômica em 2026, afirmando que “os preços da eletricidade e de todo o resto vão cair drasticamente” e que os pagamentos de hipotecas “cairão ainda mais no início do Ano Novo”. Também anunciou que pretende apresentar “alguns dos planos de reforma habitacional mais agressivos da história americana”.

Trump voltou a culpar Biden pelos problemas econômicos atuais e resumiu sua narrativa dizendo: “não é culpa dos republicanos. A culpa é dos democratas”, apesar de seu partido controlar a Casa Branca e o Congresso. Como destaca NYT, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, reagiu às declarações, afirmando que o discurso mostrou um presidente “completamente desconectado da realidade que os americanos cotidianos veem e sentem”.

Especialistas ouvidos pelo jornal avaliam que o tom apressado e irritado do presidente reflete a pressão crescente sobre a Casa Branca diante do custo de vida elevado e da percepção pública de que os benefícios prometidos na campanha ainda não chegaram.