Quarta-feira, 4 de março de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta sexta-feira (06/02) um vídeo em seu perfil na rede Truth Social que exibe imagens racistas contra o ex-presidente Barack Obama (2009-2017) e da ex-primeira-dama Michelle Obama, retratados como macacos.

O vídeo tem cerca de um minuto e, no final, por cerca de um segundo, mostra os rostos dos Obamas sobrepostos aos corpos de macacos por aproximadamente um segundo, em imagens feitas por Inteligência Artificial (IA), acompanhadas da música The Lion Sleeps Tonight (The Tokens, 1961).

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O conteúdo racista não tem nenhuma conexão clara com o tema principal do conteúdo: uma teoria da conspiração sobre as eleições. A gravação repete alegações falsas já desmentidas sobre a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems, acusada sem provas de ter ajudado a “roubar” a eleição presidencial de 2020, vencida pelo ex-presidente Joe Biden (Partido Democrata) contra Trump. Contudo, Barack e Michelle Obama não têm nenhuma relação com as alegações.

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A publicação recebeu milhares de curtidas, ampliando a repercussão do conteúdo na rede social utilizada pelo presidente norte-americano. O episódio se soma a uma série de postagens provocativas que Trump tem utilizado ara mobilizar sua base conservadora, frequentemente atacando adversários políticos.

Consultada pela Agência France Presse (AFP), a Casa Branca disse que o vídeo é um “meme da internet que mostra o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão [desenho animado da Disney]”.

“Por favor, parem com a indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público [norte-]americano”, afirmou a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, à agência.

Barack e Michelle Obama na conferência democrata de 2024, em apoio a então candidata à Presidência Kamala Harris
RS via Fotos Públicas

Reação democrata

A reação de lideranças democratas e aliados do ex-presidente Obama foi imediata. O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom — considerado um possível candidato democrata à Presidência em 2028 e crítico de Trump — classificou o conteúdo como inaceitável. “Comportamento repugnante do presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora”, publicou a conta do gabinete de imprensa de Newsom na rede social X.

Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também se manifestou publicamente, denunciando o conteúdo racista. “Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os norte-americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto  estudam Trump como uma mancha em nossa história”, escreveu Rhodes na mesma plataforma.

Barack Obama é o único presidente negro da história dos Estados Unidos e teve participação ativa no cenário político recente, apoiando Kamala Harris na disputa presidencial de 2024 contra Trump. O vídeo divulgado pelo presidente republicano reforça um padrão de ataques direcionados a figuras democratas negras e amplia a tensão política no país.

Uso crescente de IA em publicações de Trump

O episódio ocorre em meio ao aumento do uso de imagens geradas por IA pelo republicano em suas redes. No primeiro ano de seu segundo mandato na Casa Branca, o presidente intensificou a publicação de conteúdos produzidos com as ferramentas, frequentemente para exaltar sua própria imagem ou ridicularizar críticos e opositores.

No ano passado, Trump já havia publicado um vídeo gerado por IA que mostrava Barack Obama sendo preso no Salão Oval e depois aparecendo atrás das grades, vestido com uniforme laranja de detento. Meses depois, o presidente divulgou outro conteúdo artificialmente produzido envolvendo Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, que aparece usando bigode falso e chapéu. Na ocasião, Jeffries classificou a postagem como racista.

Trump contra políticas de diversidade

Desde que retornou à Casa Branca, Trump também vem sendo criticado por liderar uma ofensiva contra programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Uma das primeiras medidas de seu segundo governo foi encerrar todas as iniciativas desse tipo no governo federal, incluindo políticas de diversidade dentro das Forças Armadas.

A campanha contra o que Trump chama de ações “woke” também resultou na retirada de dezenas de livros das bibliotecas das academias militares norte-americanas. As obras abordavam temas ligados à história da discriminação e do racismo nos Estados Unidos.

Os programas federais de combate à discriminação têm origem na luta pelos direitos civis nos anos 1960, conduzida principalmente por afro-americanos. Esse movimento buscou garantir igualdade e justiça após séculos de escravidão, abolida formalmente em 1865, mas sucedida por outras formas institucionais de racismo no país.

(*) Com Brasil247