Trump quer pressionar Congresso a ‘apagar’ histórico de dois impeachments, diz jornal
Segundo o Wall Street Journal, o republicano busca fortalecer 'legado presidencial'; Constituição dos EUA não prevê mecanismo para anular processos de impeachment já concluídos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus aliados avaliam pressionar o Congresso a aprovar uma resolução destinada a apagar o histórico de processos de impeachment que sofreu durante seu primeiro mandato, de acordo com o jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ) em reportagem publicada na quinta-feira (11/06). Segundo o veículo, o esforço permitiria que o republicano reivindicasse uma “vitória simbólica” e fortalecesse seu “legado presidencial”.
No entanto, de acordo com especialistas consultados pelo periódico, uma eventual aprovação teria “pouca importância jurídica, pois a Constituição não prevê procedimento para desfazer um impeachment”.
Ao ser questionado pelo WSJ nesta semana, o presidente Trump respondeu que a medida deveria ser tomada porque, de acordo com ele, “não fiz nada de errado”. “Foi uma situação toda manipulada”, acrescentou.
O republicano tornou-se o primeiro chefe de Estado norte-americano a sofrer dois processos de impeachment, em 2019 e 2021. Segundo o veículo, qualquer tentativa de apagar esse histórico, antes das eleições de meio de mandato, em novembro, “abriria um debate sobre o comportamento passado de Trump no cargo, forçando os legisladores republicanos a rejulgar acusações de abuso de poder, obstrução do Congresso e incitação a uma insurreição”.
Desta forma, avaliou o jornal que, “diante da perspectiva de perder a maioria na Câmara, os republicanos estão tentando mudar o foco para a economia e os altos custos, as questões que mais valorizam os eleitores”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus aliados avaliam pressionar o Congresso a aprovar uma resolução destinada a apagar o histórico de processos de impeachment
The White House
O representante democrata da Califórnia, Ted Lieu, que atuou como um dos gestores do processo de impeachment da Câmara durante o segundo julgamento de Trump, apoiou a retomada do histórico de Trump.
“Como ex-gerente de impeachment, imploro que por favor mencionem os impeachments anteriores de Trump. Vamos fazer audiências, chamar testemunhas e mostrar vídeos para lembrar as pessoas do que aconteceu. E, por favor, faça todos os republicanos de um distrito decisivo votarem sobre isso. Obrigado.”, escreveu nas redes sociais.
Segundo o WSJ, apesar da pressão de seus conselheiros para manter o foco na economia, o presidente norte-americano tem repetidamente priorizado questões que buscam deixar sua “marca” no país antes do fim de seu mandato.
























