Quinta-feira, 9 de julho de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu não renovar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (USMCA), firmado por ele, durante seu primeiro mandato, com os governos do México e do Canadá.

Nesta quarta-feira (01/07), a Casa Branca alegou que existem déficits comerciais dos Estados Unidos com os dois países vizinhos e que, por isso, o USMCA não poderá ser renovado enquanto essas pendências persistirem. Em nota, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que Washington continuará a “se envolver com o México e o Canadá para resolver as deficiências do acordo”.

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Em 2020, quando da assinatura do acordo, ficou estabelecido que os três países iriam avaliar sua continuidade após seis anos. Se todos concordassem, o USMCA seria automaticamente prorrogado por mais 16 anos, até 2042. Como os Estados Unidos decidiram não aprovar a renovação, o acordo permanece em vigor, mas passa a ser objeto de revisões anuais até 2036, quando poderá expirar caso não haja consenso entre os três governos.

Em entrevista coletiva, o ministro da Economia, Marcelo Ebrard, disse que o México está disposto a discutir as preocupações apresentadas por Washington. “Não há diferença que eu possa identificar entre México, Estados Unidos e Canadá que seja tão grande que não possamos resolvê-la”, afirmou.

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Assinatura do Acordo de Livre Comércio Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) em 29 de janeiro de 2020
D. Myles Cullen/ White House

Em setembro do ano passado, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum e o primeiro-ministro canadense Mark Carney anunciaram um plano de fortalecimento do USMCA, em meio às divergências tarifárias com Trump. Entre as medidas previstas pelas duas economias constam a expansão de compromissos em relações internacionais, comércio, investimentos, agricultura, recursos naturais, energia, finanças, saúde, meio ambiente e segurança pública.

USMCA

O USMCA entrou em vigor em 1º de julho de 2020, substituindo o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, que regulava o comércio entre Estados Unidos, Canadá e México desde 1994. O tratado modernizou regras sobre comércio digital, propriedade intelectual, agricultura, meio ambiente e setor automotivo, além de elevar as exigências de conteúdo regional para veículos produzidos na América do Norte.

Na avaliação da pesquisadora Neusa Maria Pereira Bojikian (Unicamp/INCT-NEU), “Trump transforma o acordo em uma espécie de negociação sem fim”, comprometendo a estabilidade para o mercado e para os investimentos.

“Trump mantém nas mãos a possibilidade de reabrir as regras da integração norte-americana periodicamente, conforme os interesses estratégicos dos Estados Unidos, sobretudo a reindustrialização dos EUA e a tentativa de reduzir a dependência em relação à China”, acrescenta.

Segundo a CNBC, atualmente, o órgão regula cerca de US$ 2 trilhões em comércio anual de bens e serviços entre Estados Unidos, Canadá e México. Trump, no entanto, avalia que Washington não depende economicamente das economias vizinhas. “Não precisamos de nada que o Canadá tem. Não precisamos de nada que o México tem, mas eles precisam de tudo que temos e precisam nos tratar melhor”, declarou o presidente norte-americano, recentemente, no Salão Oval.