Vice-diretor do FBI renuncia ao cargo em meio à pressão sobre caso Epstein
Menos de um ano de atuação, gestão de Dan Bongino é marcada por confronto com condução da procuradora-geral, Pam Bondi, sobre financista acusado de tráfico sexual
O vice-diretor do FBI, Dan Bongino, anunciou na quarta-feira (17/12), por meio de sua conta no X, que deixará seu cargo na agência de segurança em janeiro de 2026. O anúncio de sua renúncia ocorre em meio a um mandato turbulento e confrontos com a cúpula do Departamento de Justiça dos EUA sobre os arquivos do caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Sua saída ocorre após menos de um ano num cargo de alta responsabilidade, normalmente ocupado por um agente veterano do FBI, responsável pela supervisão de dezenas de escritórios de campo no país e no exterior. Em sua publicação, ele sugeriu que retornaria ao seu trabalho anterior como podcaster pró-Trump e personalidade das redes sociais.
A saída de Bongino parecia inevitável desde que, em agosto, a Casa Branca contratou o procurador-geral do Missouri, Andrew Bailey, para compartilhar com ele o cargo de vice-diretor. Um arranjo incomum na história do FBI, para um cargo que nunca havia sido compartilhado nem ocupado por alguém de fora da carreira de agente.
O ex-agente do Serviço Secreto começou a perder apoio após criticar duramente em julho a Procuradora-Geral Pam Bondi por sua condução do caso Jeffrey Epstein. Após o ocorrido, ambos funcionários do governo iniciaram trocas de acusações e ofensas sobre a investigação do financista acusado de tráfico sexual.
I will be leaving my position with the FBI in January.
I want to thank President Trump, AG Bondi, and Director Patel for the opportunity to serve with purpose.
Most importantly, I want to thank you, my fellow Americans, for the privilege to serve you.
God bless America, and…— Dan Bongino (@FBIDDBongino) December 17, 2025
A situação escalou para um confronto na Casa Branca, quando Bondi acusou Bongino e Patel de terem se empenhado em convencer os telespectadores da Fox News de que Epstein teria cometido suicídio ao ser encontrado em uma cela de prisão em Nova York, em 2019.
Paralelamente, segundo a Procuradora-Geral, quem supervisionou o envio de agentes para vasculhar vídeos e documentos do caso foi o então vice-diretor do FBI, além de ter promovido teorias da conspiração de que Epstein foi assassinado por interesses especiais enquanto apresentava seu podcast.
Em 11 de julho uma importante apoiadora de Bongino, influenciadora de extrema-direita e teórica da conspiração, Laura Loomer, afirmou em duas postagens nas redes sociais que o vice-diretor do FBI havia tirado a sexta-feira de folga para refletir e que estava “considerando seriamente a possibilidade de RENUNCIAR” devido às ações da Bondi no caso Epstein.
A saída de Bongino representa uma vitória moderada para a Procuradora-Geral. Em uma reunião durante o verão (hemisfério norte), ela o acusou de plantar notícias negativas sobre si na mídia de direita, após o Departamento de Justiça emitir um memorando afirmando que os arquivos de Epstein não justificavam uma investigação mais aprofundada.
























