Xi defende ‘estabilidade estratégica' entre China e EUA durante encontro com Trump: 'parceiros, não rivais'
Presidente norte-americano prometeu ‘futuro fantástico juntos’ e elogiou líder chinês: 'é uma honra ser seu amigo'; eles discutiram cooperação bilateral, Taiwan, guerra no Irã e abertura comercial
O presidente da China, Xi Jinping, recebeu seu homólogo norte-americano, Donald Trump, nesta quinta-feira (14/05) no Grande Salão do Povo, em Pequim. É a primeira visita de um chefe de Estado dos Estados Unidos ao país em oito anos.
O encontro foi marcado por conversas sobre cooperação bilateral, advertências chinesas sobre Taiwan, energia, guerra no Irã e discussões em torno de tarifas e abertura comercial. Xi defendeu a ‘estabilidade estratégica’ entre os dois países, afirmando que “a essência das relações econômicas e comerciais China-EUA é o benefício mútuo e o sucesso compartilhado”, ressaltando que “diante de divergências e atritos, a consulta em pé de igualdade é a única opção correta”.
O líder chinês mencionou a guerra tarifária, apontando que “os fatos mostraram repetidas vezes que não há vencedores em uma guerra comercial”. Em sua avaliação, “China e Estados Unidos podem vencer pela cooperação e perder pelo confronto. Devemos ser parceiros, não rivais”.
Ele afirmou que ambos os países devem se ajudar para “ter sucesso, prosperar juntos e encontrar o caminho certo para que os grandes países convivam na nova era”. E frisou que “a relação construtiva de estabilidade estratégica China-EUA não deve ser um mero slogan”, mas uma “ação concreta tomada por ambas as partes em direção ao mesmo objetivo”.
‘Futuro fantástico juntos’
Segundo comunicado da Casa Branca, “o presidente Trump teve uma boa reunião com o presidente Xi da China”. A nota afirma que “as duas partes discutiram formas de fortalecer a cooperação econômica”, incluindo “a ampliação do acesso de mercado para empresas norte-americanas à China e o aumento do investimento chinês em nossas indústrias”.

Xi defende ‘estabilidade estratégica’ entre China e EUA durante encontro com Trump
Agência Xinhua
Trump afirmou que os dois países terão “um futuro fantástico juntos” e adotou um tom elogioso em relação ao líder chinês, que classificou como “um grande líder”. “Nós sempre nos demos bem. Quando houve dificuldades, nós as resolvemos”, afirmou, lembrando que elas sempre foram resolvidas “muito rapidamente.”
“É uma honra estar com você, é uma honra ser seu amigo, e a relação entre a China e os EUA vai ser melhor do que nunca antes”, acrescentou. Trump destacou que viajou acompanhado pelos “melhores e maiores empresários” dos Estados Unidos, buscando fortalecer a cooperação com a potência asiática.
Executivos e CEOs de algumas das maiores corporações financeiras e tecnológicas do mundo, entre elas Apple, Nvidia, Tesla, Meta, BlackRock, Boeing, Visa, Mastercard, Goldman Sachs e Citi, participaram de parte da reunião, informou a Casa Branca.
Abertura comercial
Xi defendeu uma relação comercial baseada em benefícios mútuos. “Os fatos demonstraram repetidamente que em uma guerra comercial não há vencedores”, afirmou, acrescentando que “a essência das relações econômicas e comerciais entre China e Estados Unidos é o benefício mútuo. “O sucesso de um é uma oportunidade para o outro, e uma relação bilateral estável é boa para o mundo”, disse.
Segundo o líder chinês, uma nova definição dos acordos entre os dois países fornecerá orientação estratégica para as relações bilaterais nos próximos três anos e além. “Será bem recebida pelos povos de ambos os países, bem como pela comunidade internacional”, afirmou.
Taiwan e Irã
Xi advertiu que “a questão de Taiwan é a questão mais importante nas relações China-EUA” e afirmou que, caso seja conduzida de maneira inadequada, “as duas nações podem colidir ou até entrar em conflito, levando toda a relação China-EUA a uma situação altamente perigosa”. “A independência de Taiwan e a paz no estreito de Taiwan são incompatíveis”, acrescentou.
A guerra no Irã também entrou na discussão. Em comunicado, a Casa Branca afirmou que “as duas partes concordaram que o estreito de Ormuz deve permanecer aberto para apoiar o livre fluxo de energia” e que Xi “deixou clara a oposição da China à militarização do estreito e a qualquer esforço para cobrar pedágio por seu uso”.
A Casa Branca informa que o mandatário chinês demonstrou interesse em comprar mais petróleo norte-americano “para reduzir a dependência da China do estreito no futuro” e que “ambos os países concordaram que o Irã nunca poderá ter uma arma nuclear”. O comunicado também diz que ambos “destacaram a necessidade de avançar para acabar com o fluxo de precursores do fentanil para os Estados Unidos”.
Armadilha de Tucídides
“Uma transformação não vista em um século está se acelerando em todo o mundo, e a situação internacional é instável e turbulenta”, declarou Xi durante a reunião. Ele questionou Trump sobre a capacidade das duas potências de ultrapassarem a “armadilha de Tucídides”, conceito associado ao risco de guerra entre uma potência estabelecida e outra emergente.
“Será que a China e os Estados Unidos podem superar a Armadilha de Tucídides e criar um novo paradigma para as relações entre grandes potências? Seremos capazes de enfrentar juntos os desafios globais e proporcionar maior estabilidade ao mundo?”, perguntou, acrescentando que a resposta deve ser dada conjuntamente por ambos.
























