'Albânia não está à venda': milhares protestam contra hotel de luxo ligado à família Trump
Manifestantes exigem renúncia do premiê Edi Rama e denunciam falta de transparência em projeto de Ivanka Trump e Jared Kushner na Lagoa de Narta, reserva natural de flamingos
Milhares de pessoas marcharam pela capital da Albânia na noite de sábado (20/06), em uma das maiores manifestações contra um projeto de hotel de luxo ligado a Ivanka Trump e seu marido, Jared Kushner.
Os manifestantes, entoando slogans como “Rama, vá embora!”, exigiram a renúncia do primeiro-ministro albanês, Edi Rama, acusando-o de corrupção e falta de transparência.
Os protestos, que se repetem todas as noites desde o final de maio, opõem-se à construção de um complexo turístico na Lagoa de Narta, uma importante reserva natural para a reprodução de aves migratórias como os flamingos-cor-de-rosa, e na ilha desabitada de Sazan. Os ativistas acreditam que o projeto ameaça um ecossistema sensível do país e também têm levantado preocupações sobre os direitos de propriedade da terra.
“Não somos contra o desenvolvimento do país, somos contra a arrogância e a falta de transparência em projetos que afetam nossas vidas ”, declarou um dos manifestantes, estudante da Faculdade de Ciências.
Albania is not for sale pic.twitter.com/bNpziCVHCT
— Ermal Kuka (@Ermal_Kuka) June 21, 2026
A mobilização também atraiu membros da diáspora albanesa, que projetaram mensagens como “A Albânia não está à venda” em prédios do governo. Apesar dessa pressão pública, Rama se recusou a renunciar, defendendo o histórico ambiental de seu governo e atribuindo os protestos a “ciberativistas maliciosos” e até mesmo a supostos ataques do Irã.
Durante a marcha, o biólogo Olsi Nika enfatizou que a paisagem de Vjosa-Narta é um dos ecossistemas mais valiosos do país, cuja importância transcende as fronteiras nacionais. Este conflito reflete a crescente frustração pública com a gestão dos recursos naturais e a percepção de interferência estrangeira na política local , enquanto o governo mantém sua posição de não recuar no acordo comercial com a família do presidente dos EUA, Donald Trump.
Os manifestantes acreditam que este hotel serviria apenas aos interesses pessoais da família Trump, sem contribuir para a comunidade local. Isso gerou preocupações na região, com alguns países europeus temendo que o acordo possa comprometer a integração do país à União Europeia, caso não cumpra a legislação ambiental europeia.
























