Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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O Partido Trabalhista do Reino Unido proclamou nesta sexta-feira (17/07) o deputado e ex-prefeito da Grande Manchester Andy Burnham, de 56 anos, como seu novo líder.

Ele assume o lugar do premiê Keir Starmer, que perdeu o apoio de seus correligionários, e tomará posse do governo britânico na próxima segunda (20/07).

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A nomeação foi anunciada durante uma assembleia especial do Partido Trabalhista em Londres, por Shabana Mahmood, secretária do Interior na gestão Starmer e presidente do Comitê Executivo Nacional da legenda.

Segundo Mahmood, Burnham angariou o apoio de 379 dos 403 deputados trabalhistas e de todos os sindicatos ligados ao partido. Como não tem concorrentes, ele não precisará se submeter ao voto dos filiados trabalhistas.

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“Estou pronto para governar e promover uma política de mudança após 40 anos de neoliberalismo que não foram gentis”, disse o futuro premiê em seu discurso. “Essa é nossa última chance de mudar”, acrescentou.

Pelo fato de o Reino Unido ser uma monarquia parlamentarista, o partido com maioria na Câmara dos Comuns — caso dos trabalhistas — tem a prerrogativa de indicar o primeiro-ministro sem a necessidade de convocar eleições antecipadas.

 

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Crise e 1º premiê católico

No poder há dois anos, após uma década e meia de governos conservadores, Starmer renunciou devido a uma série de polêmicas que desgastaram sua imagem, incluindo a derrota trabalhista nas eleições municipais de maio e a nomeação de Peter Mandelson, amigo do finado financista pedófilo Jeffrey Epstein, como embaixador nos Estados Unidos.

Integrante da ala progressista moderada do partido, a chamada “soft left” (“esquerda suave”), ele inicialmente apoiou as pautas pró-mercado do New Labour, o bloco mais à direita liderado por Tony Blair, e ocupou cargos como subsecretário de Estado. Foi com Gordon Brown, porém, que alcançou as secretarias da Cultura e da Saúde (equivalente britânico aos ministérios), retomando uma visão mais favorável à intervenção estatal.

Após a derrota trabalhista nas eleições de 2010 e o retorno à oposição, Burnham tentou pela primeira vez a liderança do partido, mas ficou em quarto lugar entre cinco candidatos.

Alinhou-se então ao vencedor, Ed Miliband, também da “soft left”. Nova tentativa em 2015: era favorito, mas acabou em segundo, muito atrás do ultraesquerdista Jeremy Corbyn. Burnham foi contra o Brexit, mas hoje diz querer superar o tema com uma reaproximação parcial à União Europeia, descartando um retorno pleno ao bloco em um horizonte de 20 a 30 anos.

Em 2017, Burnham deixou Westminster para disputar e vencer a eleição para prefeito da Grande Manchester, uma região pós-industrial marcada pelo declínio desde a era Thatcher.

Reeleito duas vezes com amplo apoio popular, aproveitou o cargo para consolidar sua imagem e enraizamento político, a ponto de ser apelidado de “rei do Norte”.

Foi ele quem enfrentou o governo conservador de Boris Johnson durante a pandemia de Covid-19 e construiu o chamado “modelo Manchester”, um laboratório político baseado em inovação, reindustrialização parcial e expansão imobiliária com parcerias privadas, mas sem abrir mão de forte presença estatal em áreas como educação, serviços públicos e transporte.

Recentemente, venceu a eleição supletiva para o Parlamento no distrito de Makerfield, contendo o avanço da direita populista de Nigel Farage, e abriu caminho para se tornar o novo premiê do Reino Unido.