Chanceler alemão reconhece crise energética no país devido à falta de gás russo
Friedrich Merz mencionou 'situação difícil' na Ucrânia após mudanças da administração Trump em relação à OTAN
O chanceler alemão Friedrich Merz defendeu sua mudança de posição sobre promessas eleitorais, argumentando que as circunstâncias no contexto global mudaram radicalmente desde a campanha. “Comecei a partir de outras bases”, disse o político alemão à ZDF, ao ser questionado se era um erro prometer tanto durante a campanha eleitoral.
Merz listou os fatores que transformaram o cenário político: “estamos em guerra na Ucrânia há cinco anos consecutivos. Estamos em uma situação difícil. A situação com os Estados Unidos: vemos que, sob a liderança de Donald Trump, os Estados Unidos não apoiam mais a OTAN na mesma medida que por décadas. Estamos enfrentando um desafio completamente diferente do da República Popular da China. A persistência da crise energética devido à falta de gás russo. Essas são coisas que mudaram muito, especialmente no último ano.”
O chefe do governo alemão também afirmou que assumiu a responsabilidade pelas decisões tomadas em fevereiro e março do ano passado, referindo-se às mudanças que promoveu no ‘freio da dívida’ para suspender restrições aos gastos com Defesa. A medida marcou um antes e depois em relação a décadas de conservadorismo fiscal.

Friedrich Merz mencionou ‘situação difícil’ na Ucrânia após mudanças da administração Trump em relação à OTAN
União Democrata Cristã da Alemanha/ X
Ruptura com gás russo
A União Europeia rompeu com o gás russo barato, base de sua indústria, e o substituiu, entre outras fontes, por gás natural liquefeito dos Estatos Unidos, muito mais caro.
A atual escalada no Oriente Médio fez os preços do petróleo e do gás dispararem e, como resultado, a União Europeia enfrenta energia ainda mais cara, pressão sobre residências e empresas, fechamentos industriais, demissões e uma economia cada vez mais enfraquecida.
Em setembro de 2022, os gasodutos Nord Stream 1 e 2, que conectam a Rússia à Alemanha, foram desativados após uma explosão que desencadeou grandes vazamentos de gás no Mar Báltico. O incidente foi descrito por Moscou como sabotagem, enquanto os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações.
O presidente russo Vladimir Putin disse em outubro do ano passado que a renúncia à energia russa causou uma cadeia de efeitos negativos para a economia europeia, como queda no volume industrial, aumento dos preços do petróleo e gás transoceânicos mais caros e perda de competitividade dos produtos europeus e da economia em geral.























