Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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A Espanha enfrenta um surto de peste suína africana que ameaça causar prejuízos bilionários ao setor pecuário do país. No entanto, a crise sanitária tem potencial para abrir uma janela de oportunidades para a suinocultura brasileira.

Terceiro maior produtor mundial de carne suína e líder na União Europeia, a Espanha já sente os primeiros efeitos econômicos da doença. Mais de 20 países suspenderam as importações de carne de porco e derivados espanhóis, entre eles Brasil, Chile e Uruguai. O bloqueio coloca em risco um faturamento anual de cerca de 9 bilhões de euros (aproximadamente  R$ 55 bilhões) em exportações.

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Frigoríficos da Catalunha, região mais afetada pelo surto, começaram a demitir trabalhadores temporários devido ao cancelamento de vendas ao exterior.

Oportunidade para o Brasil

No Brasil, o setor de suinocultura acompanha de perto a evolução do surto. O presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, disse a Opera Mundi que a retração das exportações espanholas deve gerar um impacto positivo para o mercado brasileiro. “A partir do momento em que esse surto de peste suína africana acontece, diversos mercados se fecham para a Espanha e abrem oportunidade para que o Brasil preencha essa lacuna. Acredito que essa é uma grande chance para o Brasil”, afirmou.

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Projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que o país pode, em breve, assumir o terceiro lugar no ranking mundial de exportações de carne suína. Para Tannure, a perspectiva para o Brasil é favorável.

“Apesar de ainda não termos números concretos, porque não conhecemos a extensão total dos danos na Espanha, qualquer percentual de vendas que vier será positivo. Acredito que algo em torno de 5% pode acabar acontecendo, o que já representaria um montante significativo e impacto relevante para o setor”, disse o presidente da Acrismat.

porcos

Região da Catalunha é a mais atingida pelo surto de peste suína africana <br/ > PxHere

A Espanha não registrava casos de peste suína africana havia 30 anos. O primeiro novo foco foi identificado no fim de novembro, na Catalunha. Até agora, 13 javalis selvagens encontrados mortos na região testaram positivo para o vírus.

A doença afeta javalis, porcos domésticos e porcos selvagens, mas, segundo o governo espanhol, não oferece risco aos seres humanos.

Medidas de contenção

Nos últimos dias, o governo espanhol ampliou as ações para tentar conter o avanço do vírus. Polícia e Exército foram mobilizados para fechar parques naturais na Catalunha, enquanto drones e cães farejadores são utilizados para localizar javalis mortos ou com suspeita de contaminação.

Algumas regiões foram além. Na comunidade autônoma de Aragão, no nordeste do país, o governo passou a pagar 30 euros (cerca de R$ 180) a caçadores licenciados por cada javali abatido. O objetivo é reduzir a população do animal, um dos principais vetores do vírus que ameaça a indústria suína espanhola.

Especialistas atribuem o aumento da população de javalis a diferentes fatores. Há um desequilíbrio ecológico causado pela redução do número de lobos, seus predadores naturais. Além disso, os javalis se reproduzem com facilidade e têm migrado das áreas rurais para zonas residenciais em busca de alimentos.

Tannure afirmou que o episódio deve servir de alerta internacional. “É importante que todos os países mantenham o foco na biosseguridade. Essa é uma guarda que nunca podemos baixar”.