Cúpula da OTAN: Rutte defende 'revolução industrial de defesa transatlântica'
Secretário-geral da aliança diz que Rússia, China, Coreia do Norte e Irã trabalham juntos; Moscou afirma que acompanhará discussões com ‘grande interesse’
Líderes dos 32 países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) reúnem-se nesta terça-feira (07/07), em Ancara, na Turquia, para discutir o fortalecimento da capacidade militar do bloco em meio às tensões na Guerra da Ucrânia.
Um dos focos do encontro será a cobrança de Washington para que os países cumpram a meta de elevar seus gastos com defesa e segurança para 5% do PIB, além do debate sobre o futuro da segurança transatlântica.
Na abertura do Fórum da Indústria de Defesa da OTAN, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, defendeu uma maior integração entre os membros, usando uma analogia futebolística. Segundo ele, “nenhuma equipe vence por causa de um único jogador brilhante”.
Rutte afirmou que o Canadá e os países europeus ampliaram seus investimentos, ressaltando que agora é necessário transformar esses recursos em capacidade militar. Ele citou a cifra de US$ 258 bilhões (R$ 1,3 trilhão), somando os anos de 2025 e 2026. “O dinheiro está lá, e muito mais está a caminho. Mas esse dinheiro precisa ser investido“, disse.
Segundo ele, o esforço depende da atuação coordenada dos governos, das Forças Armadas e da indústria de defesa. “Esta é uma equipe que sabe como marcar gols”, afirmou.

Cúpula da OTAN: Rutte defende ‘revolução industrial de defesa transatlântica’
@SecGenNATO/ X
‘Revolução industrial transatlântica’
“A estratégia é clara, mas a partida está longe de terminar e, para vencê-la, precisamos que todos os membros da equipe façam a sua parte, trabalhem mais, mais rápido e juntos. Não temos o luxo do tempo”, advertiu.
Segundo ele, a Rússia “está investindo quase metade de seu orçamento nacional em sua máquina de guerra”, enquanto a China “continua a modernizar suas forças armadas e a expandir suas capacidades nucleares sem transparência”. Ele também citou o apoio da Coreia do Norte a Moscou.
Rutte afirmou, ainda, que apesar de “a ação dos Estados Unidos ter degradado significativamente” os programas nucleares e de mísseis balísticos do Irã, os países do bloco têm que “permanecer vigilantes”.
“Devemos permanecer vigilantes. Esses países estão trabalhando cada vez mais juntos, e isso deveria nos preocupar a todos, porque garanto que eles não têm em mente os nossos melhores interesses”, advertiu.
Para responder a esse cenário, o secretário-geral da OTAN defendeu “uma revolução industrial de defesa transatlântica”. Segundo ele, “o zumbido das máquinas precisa se transformar em um rugido”. “Parece dramático, mas é possível”, acrescentou.
Aquisições
Rutte também defendeu a redução da burocracia nas aquisições militares, maior cooperação entre os países da aliança e elogiou a Ucrânia por continuar inovando “a uma velocidade incrível”, inclusive com um “ecossistema de drones sem paralelo”.
A OTAN projeta, até ao próximo ano, ampliar sua capacidade para produzir cerca de quatro milhões de projéteis de artilharia por ano, “quase o dobro do ano passado”. Para isso, o bloco anunciou uma série de investimentos, incluindo um programa de US$ 40 bilhões (cerca de R$ 216 bilhões) destinado ao desenvolvimento de sistemas antidrone.
A OTAN também confirmou a compra de até dez aeronaves de vigilância Saab GlobalEye para substituir a antiga frota de aviões AWACS, além da aquisição de até cinco drones de alta altitude Northrop Grumman MQ-4C Triton. Noruega, Finlândia, Alemanha e Dinamarca assinaram uma carta de intenções para participar da compra conjunta.
Comentários de Moscou
Enquanto os líderes da OTAN se reuniam em Ancara, o Kremlin disse estar acompanhando os desdobramentos da cúpula com “grande interesse”.
“Este é um evento de grande interesse, inclusive para nós. É claro que estaremos acompanhando todas as notícias e informações que vierem de Ancara”, afirmou o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, em coletiva de imprensa.
Peskov criticou o tom adotado por integrantes da aliança antes do encontro. “Para nosso pesar, não foram declarações sobre engajamento construtivo e diálogo, mas sim declarações de natureza conflituosa”, declarou, sem dar detalhes.
Ele disse que Moscou espera que Washington tenha sucesso em conduzir a situação [na Ucrânia] “por um caminho pacífico” e reiterou: “nós, como o presidente russo já disse repetidamente, continuamos abertos a isso.”
























