Dinamarqueses boicotam marcas dos EUA em protesto contra anexação da Groenlândia
Crise diplomática impulsiona busca por tecnologia e produtos europeus; turismo para EUA cai pela metade e fundos de pensão vendem ativos norte-americanos
A crise diplomática com os Estados Unidos ganhou um novo capítulo e agora passa pelo mundo digital. Cresceu na Dinamarca a busca por alternativas às grandes plataformas e redes sociais norte-americanas, em um movimento que muitos descrevem como uma disputa entre Davi e Golias.
Um dos exemplos é a rede social Oase, que passou a receber um número muito maior de novos usuários desde o início do ano, um crescimento inesperado. A plataforma oferece uma alternativa local às redes sociais dominadas por empresas estadunidenses, como a Meta.
“É como um coral gospel de 300 pessoas pedindo. Depois, há várias cooperativas que querem começar. E ainda há famílias e grupos de amigos”, explica o CEO da empresa Anders Lemke-Holstein.
O mesmo fenômeno é observado em outras plataformas digitais. O serviço europeu de buscas na internet Vivaldi é visto como uma alternativa ao Google, e também registrou aumento no interesse de usuários dinamarqueses após as declarações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia, com pessoas afirmando que querem reduzir a dependência de tecnologia dos Estados Unidos.
Outros setores atingidos
O movimento se espalha para outros setores da economia. No turismo, os cancelamentos e buscas por passagens e pacotes de viagens para os Estados Unidos teve uma queda.

Disputa pelo território da Groenlândia leva dinamarqueses buscarem alternativas para fugir das grandes empresas de tecnologia norte-americanas
Xinhua / Peng Ziyang
“A venda de viagens para os Estados Unidos caiu mais de 50% em comparação com períodos anteriores, e vemos clientes escolhendo outros destinos como o Canadá”, disse Jacob Østergaard, diretor de uma das maiores agências de viagem do país, em entrevista a uma emissora de TV dinamarquesa.
O impacto também aparece no mercado financeiro. Fundos de pensão dinamarqueses começaram a vender ativos estadunidenses, alegando que a incerteza em torno dos Estados Unidos se tornou grande demais.
Já nos supermercados, os consumidores têm usado aplicativos que ajudam a identificar e evitar produtos norte-americanos. E uma escola de ensino médio dinamarquês, resolveu cancelar uma viagem de estudos que faria neste semestre aos Estados Unidos.
Credibilidade em risco
Segundo um professor do Instituto de Gestão Empresarial da Universidade do Sul da Dinamarca, o boicote pode gerar impacto quando ganhar escala.
“Isso coloca em xeque marcas e produtos que se apoiam em uma identidade estadunidense, algo que antes era visto como valioso, mas que perde força quando os consumidores passam a rejeitar essas marcas”, analisa o professor Dannie Kjeldgaard.
A discussão também envolve soberania digital. Para a responsável pela associação Digital Independente da Dinamarca, a dependência de plataformas norte-americanas é um risco.
“Somos dependentes demais de fornecedores dos Estados Unidos. Precisamos retomar parte desse poder e passar a usar serviços europeus”, conclui Camilla Gregersen.























