Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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O bloco de centro-esquerda, composto por quatro partidos de oposição e liderado pela ex-premiê Magdalena Andersson, lidera por uma margem mínima as eleições legislativas realizadas na Suécia, neste domingo (13/09), e pode vencer a coalizão governista e de direita do premiê Ulf Kristersson.

Com mais de 98% dos distritos eleitorais apurados, a centro-esquerda detém 49,5% dos votos e 176 cadeiras no Parlamento sueco, contra 49,1% e 173 da coalizão conservadora. A diferença é de apenas três  assentos para obter a maioria, de um total de 349 deputados.

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A apuração continua e, além dos 6.312 distritos que compõem o sistema eleitoral sueco, ainda resta a contagem de votos de cerca de 370 mil cidadãos residentes no exterior. O pleito contou com a participação de 80,4% dos eleitores suecos.

“Minha mensagem é clara: nós social-democratas sempre estaremos prontos para assumir a responsabilidade pelo resultado. Parece que será muito apertado, mas agora estamos na frente e, se continuar assim, a Suécia terá um novo governo”, disse Andersson.

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Avanço da Esquerda

A vantagem da centro-esquerda, no entanto, não foi garantida pelo Partido Social-Democrata, liderado pela ex-primeira-ministra, mas sim pelo crescimento da esquerda. A legenda de Andersson registrou 28,1% dos votos, uma queda de dois pontos percentuais em relação a 2022, e seu pior resultado desde 1928.

O desempenho dos social-democratas foi compensado pelo crescimento de seus três aliados. O Partido de Esquerda avançou de 6,75% em 2022 para 8,2% e passou a ocupar a quarta posição entre as forças políticas do país. O Partido de Centro subiu de 6,71% para cerca de 7,1%, enquanto o Partido do Meio Ambiente, os Verdes, passou de 5,08% para 6,1%.

A líder do Partido de Esquerda, Nooshi Dadgostar, afirmou que a legenda pretende integrar formalmente um eventual governo liderado pelos social-democratas. “Se nossos mandatos forem necessários, teremos postos em um governo. Nossos eleitores valem tanto quanto os eleitores de todos os outros partidos”, declarou.

Andersson, por sua vez, admite negociar e cooperar com a legenda, mas resiste à sua participação em um eventual governo. “Tenho sido clara e disse que considero que o Partido de Esquerda ainda tem uma longa jornada pela frente antes de ser um partido que possa integrar um governo. Por outro lado, colaboro com eles de bom grado”, afirmou.

Bloco de centro-esquerda liderado por Magdalena Andersson pode vencer coalização de direita do atual premiê Ulf Kristersson
Fanni Uusitalo / Lowe Lilliehorn / Wikipedia Commons

Direita e extrema direita

Já o Partido Moderado (M) do premiê Kristersson obteve 19,9% recuperando o status de segunda maior força política do país, ao ultrapassar o partido de extrema direita Democratas da Suécia (SD), de Jimmie Åkesson, que caiu quase três pontos, para 17,6%.

Ante a estreita vantagem da centro-esquerda, o primeiro-ministro afirmou que a eleição permanece “em aberto”, sinalizando que tentará permanecer no poder por meio de negociações com outras legendas.

“Mesmo que o resultado desta noite se mantenha, vou explorar se é possível encontrar uma composição de governo viável […] capaz de obter apoio para a política econômica pela qual os eleitores suecos votaram”, declarou.

É primeira vez que os Democratas da Suécia (DS), fundado na década de 1980 por membros que haviam atuado em grupos de extrema direita, incluindo neonazistas, perde votos desde que ingressou no Parlamento, consolidando-se como a segunda maior força nacional.

Desde 2022, Kristersson governa o país com uma coalizão de centro-direita, incluindo o DS, que vem dando sustentação ao seu governo. Ele havia prometido ao partido que cederia cargos no gabinete, caso a coalizão fosse reeleita neste ano.

Åkesson buscou minimizar o recuo eleitoral. “É evidente que recuamos alguns pontos percentuais em relação a quatro anos atrás, mas ainda sinto que vencemos nestas eleições, porque há muito mais pessoas em nosso país que já não consideram problemático dizer que são Democratas da Suécia”, afirmou.

Andersson, no entanto, já descartou governar sob influência da extrema direita. Durante a campanha, a líder social-democrata prometeu: “se eu me tornar primeira-ministra, nunca permitirei que forças extremistas me governem”.

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