Em Conferência de Munique, Merz critica unilateralismo dos EUA e defende parceria na OTAN
Chanceler alemão pediu para 'reparar a confiança transatlântica' na Europa e apontou que Washington 'sozinho' perde liderança global em meio às superpotências
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que os Estados Unidos não são “suficientemente poderosos para agirem sozinhos” em meio às outras potências mundiais. O alerta contra o unilateralismo do presidente Donald Trump se deu na abertura da 62ª Conferência de Segurança de Munique nesta sexta-feira (13/02), um ano depois do discurso hostil proferido no mesmo evento pelo vice-presidente norte-americano JD Vance, que havia criticado os europeus “por não assumirem suficientemente a sua própria defesa”.
“Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão suficientemente poderosos para agirem sozinhos”, disse Merz, destacando para o fim da velha ordem. “Receio que devamos ser ainda mais diretos. Essa ordem, por mais imperfeita que tenha sido mesmo em seu melhor, não existe mais nessa forma”.
O discurso do alemão se voltou para as questões referentes ao futuro da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em meio às críticas recorrentemente enunciadas por Trump, que tem pressionado os europeus a aumentarem sua contribuição no órgão.
Nesse sentido, Merz pediu ao republicano que reconheça que ainda é possível debilitar as esferas econômica e militar da Rússia para supostamente impulsioná-la à mesa de negociações sobre a paz na Ucrânia. Moscou foi mencionado, apesar de sua ausência no evento.
“Queridos amigos, fazer parte da OTAN não é apenas a vantagem competitiva da Europa. Também é a vantagem competitiva dos Estados Unidos”, afirmou. “Então vamos reparar e reviver a confiança transatlântica juntos”.

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e chanceler da Alemanha, Friedrich Merz
X/@SecRubio
O discurso do chanceler alemão abriu a nova edição anual que conta com figuras globais ligadas ao tema da política de segurança internacional. O encontro, que durará três dias, inclui 60 chefes de Estado e de governo, além de aproximadamente 500 representantes da área política e científica, de think tanks, da indústria de armamento e da sociedade civil. Também está presente o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
O discurso de Merz foi recebido com aplausos principalmente quando criticou a atual gestão norte-americana, ao afirmar que “a guerra cultural do movimento MAGA não é nossa”.
“A liberdade de expressão termina aqui para nós quando essa fala é dirigida contra a dignidade humana e a lei fundamental. Não acreditamos em tarifas e protecionismo, mas no livre comércio. Defendemos os acordos climáticos e a Organização Mundial da Saúde”, declarou o chanceler. “Na era das grandes potências, nossa liberdade não é mais garantida, ela está ameaçada”.
Em sua fala, Merz ainda apontou a gestão de Trump como uma “autocracia”, dizendo que esta modalidade de poder pode conquistar “seguidores”, mas que a democracia tem “parceiros e aliados”. O ministro alemão seguiu defendendo que a Europa deve se livrar de sua dependência excessiva aos Estados Unidos, mas que não fará isso descartando a OTAN.
























