Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Durante uma visita de dois dias à Irlanda, que combinou reuniões políticas com uma parada em seu resort de golfe em Doonbeg, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou seu apoio à reunificação irlandesa, dizendo que “adoraria vê-la unificada” e prevendo que uma Irlanda unificada “acabará por acontecer”.

O republicano sugeriu neste sábado (12/09) que “já que era melhor acontecer, era melhor que acontecesse agora” e pareceu indicar o Taoiseach (primeiro-ministro) Micheál Martin como a pessoa ideal para ajudar a concretizar isso.

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“Bem, não quero causar problemas, mas vou te dizer que adoraria ver isso unificado. Acho que seria uma grande conquista para todos se isso acontecesse. E eventualmente vai acontecer. Então, que aconteça agora”, declarou Trump.

O governo de Martin, contudo, afirmou que os comentários do presidente norte-americano não mudariam sua posição, e um porta-voz declarou que “o governo permanece comprometido com o Acordo da Sexta-Feira Santa e o programa de governo”.

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A declaração provocou reação negativa de unionistas e políticos britânicos, e o próprio Trump provocou ao dizer que “obviamente, o Reino Unido terá algo a dizer sobre isso” e acrescentar: “como pode ser ruim?”.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Taoiseach da Irlanda (primeiro-ministro) Micheál Martin
Foto: Micheál Martin / X

A porta-voz do primeiro-ministro Andy Burnham respondeu que a posição sobre a unificação “permanece inalterada”, e que ele se manteria fiel ao Acordo da Sexta-Feira Santa “100%”, sem referendo sem apoio da maioria da população.

A presidente irlandesa, Catherine Connolly, aproveitou seu encontro com Trump para enfatizar a oposição da Irlanda à guerra e ao genocídio, e afirmou que a normalização de qualquer um deles “jamais poderá ser aceita”.

“Transmiti a firme opinião do povo irlandês de que a normalização da guerra e do genocídio jamais poderá ser aceita. Como um país que sofreu com a fome, a colonização e a violência do Conflito na Irlanda do Norte, mas também reconhecendo a importância do longo e desafiador caminho para a paz, enfatizei a perspectiva única que o povo irlandês pode trazer para a resolução de conflitos”, diz a declaração.

A líder do Sinn Féin, Mary Lou McDonald, pediu ao republicano que aplicasse as lições do processo de paz da Irlanda do Norte à Palestina, e instou Washington a pôr fim à venda de armas a Israel e a “pararem de facilitar o genocídio do povo palestino”.

Kemi Badenoch, líder da Oposição e líder do Partido Conservador, acusou o presidente norte-americano de “falar sem pensar” e descreveu suas declarações como “profundamente contraproducentes”.

“O presidente Trump está agindo impulsivamente como de costume, assim como fez com a Groenlândia e a anexação do Canadá como o 51º estado. Esse tipo de discurso leviano sobre o futuro dos países democráticos é profundamente prejudicial e cria tensão desnecessária”, disse em uma postagem no X.

Protesto contra visita de Trump

Dezenas de pessoas se reuniram no centro de Dublin no sábado para protestar contra a visita de Trump, carregando faixas e bandeiras e gritando: “Donald Trump, você está me ouvindo? Não te queremos aqui”.

Na terça-feira, o grupo Uplift criou um mural de areia em uma praia de Dublin com a mensagem “Chega de Reis”, e Siobhán O’Donoghue disse ao New York Times que, com os olhos do mundo voltados para a Irlanda, era importante contestar as alegações de Trump de amplo apoio.

Os manifestantes também se reuniram em Doonbeg, a poucos quilômetros do hotel onde Trump está hospedado para assistir ao Aberto da Irlanda.

A Organização Trump comprou o hotel e o campo de golfe, que estavam em processo de falência, em 2014, por um valor estimado em 15 milhões de euros (cerca de 17 milhões de dólares).

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