Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Milhares de pessoas se reuniram em Belgrado, capital da Sérvia, nesta segunda-feira (07/09) para o funeral do criminoso de guerra condenado Ratko Mladic, provocando condenação de Bruxelas pela glorificação de um homem condenado por genocídio durante a guerra da Bósnia na década de 1990.

Mladic morreu no final de agosto, aos 84 anos, enquanto cumpria pena de prisão perpétua em Haia por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito. Sua reputação levou a imprensa internacional a apelidá-lo de “açougueiro da Bósnia”.

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O ministro da Justiça da Sérvia, Nenad Vujic, anunciou inicialmente que Mladic receberia “honras militares e de Estado”, provocando indignação internacional. Posteriormente, o presidente Aleksandar Vucic minimizou a decisão.

Vucic rejeitou as acusações de que estaria glorificando o ex-general, afirmando que a cerimônia foi realizada em conformidade com os desejos da família.

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Darko Mladic, filho de Ratko Mladic e organizador oficial do funeral, permaneceu ao lado do caixão nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, enquanto patcipantes entravam na igreja, muitos deles beijando o caixão.

Presença de autoridades sérvias

A cerimônia foi realizada na pequena Igreja de São Lucas, em vez do grandioso Templo de São Sava, onde normalmente ocorrem funerais de Estado. Vários ministros sérvios compareceram, juntamente com o embaixador da Rússia na Sérvia e o ex-presidente da República Srpska, Milorad Dodik.

Vucic havia declarado anteriormente que o Estado garantiria que o evento transcorresse de forma “segura”, mas que ele próprio não compareceria devido a um compromisso previamente agendado.

Mladic foi sepultado no cemitério de Topcider, em Belgrado, em um túmulo ao lado de sua filha Ana, que se suicidou em 1994, durante o auge da Guerra da Bósnia (1992–1995).

O patriarca Porfírio da Sérvia, chefe da Igreja Ortodoxa Sérvia, foi responsável por conduzir o funeral de Mladic.

Após a cerimônia religiosa, membros do Exército sérvio cobriram o caixão com as bandeiras da Sérvia e da República Srpska, uma das duas entidades autônomas da Bósnia e Herzegovina, enquanto o retiravam da igreja.

Procissão e salva de tiros

A procissão foi liderada por policiais em motocicletas, e milhares de cidadãos aplaudiram ao longo do trajeto enquanto o carro funerário transportava o caixão, segundo imagens transmitidas pela emissora regional N1.

Durante a cerimônia no cemitério, estiveram presentes uma banda militar e uma guarda de honra, enquanto uma unidade do Exército sérvio realizou uma salva de honra com armas leves.

De acordo com a televisão pública sérvia RTS, o presidente do país balcânico, Aleksandar Vucic, não compareceu ao funeral, mas seu filho, Danilo, esteve presente.

Também participaram da cerimônia o ministro da Defesa da Sérvia, Bratislav Gasic; o ministro da Justiça, Nenad Vujic; além de outros integrantes do atual governo.

Além disso, as imagens mostraram a presença do ex-presidente da República Srpska, Milorad Dodik; do embaixador da Rússia na Sérvia, Alexander Botsan-Kharchenko; e do ex-ministro da Defesa da Grécia e líder conservador Panos Kammenos (2015–2019).

“Herói ou criminoso”

“Obrigado, irmãos, por virem julgar se meu pai foi um herói ou um criminoso”, declarou durante o funeral Darko Mladic, filho do morto. Os presentes responderam aos gritos de: “Herói! Herói!”

Mladic foi preso na Sérvia em 2011, após permanecer quase 16 anos foragido, e foi transferido para Haia poucos dias depois.

Em 2017, ele foi condenado em 2017 à prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia, em Haia, pelo genocídio em Srebrenica, no qual mais de 8 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos; pelo cerco de Sarajevo, que durou anos, durante a Guerra da Bósnia de 1992 a 1995, e outros crimes de guerra, incluindo a criação de campos de detenção para civis não sérvios e prisioneiros de guerra.

Ao todo, ele passou aproximadamente 15 anos sob custódia das Nações Unidas, divididos entre a prisão preventiva e, após a condenação, o cumprimento da pena.

Nos últimos meses, havia sofrido vários acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e recebia tratamento médico enquanto permanecia detido.

UE alerta contra “glorificação”

Enquanto isso, a União Europeia (UE) reiterou nesta segunda-feira que a “glorificação” de criminosos de guerra, a negação do genocídio e o revisionismo histórico “não têm lugar” na UE nem em países candidatos à adesão, como a Sérvia.

“Qualquer glorificação de criminosos de guerra, negação de genocídio e revisionismo contradizem os valores europeus mais fundamentais e não têm lugar nem na União Europeia nem nos países candidatos à adesão”, afirmou, em comunicado, um porta-voz da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas.

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