Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Os líderes dos principais partidos independentistas da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte irão se reunir nesta segunda-feira (14/09), em Cardiff, para assinar um memorando de entendimento em defesa do direito de suas populações decidirem, por meio de referendos, se querem permanecer no Reino Unido.

Pela primeira vez, os partidos favoráveis à separação do Reino Unido lideram os governos dos três países simultaneamente. Participam do encontro, na condição de líderes políticos, os premiês John Swinney do Partido Nacional Escocês (SNP), Rhun ap Iorwerth do galês Plaid Cymru e Michelle O’Neill, do Sinn Féin, da Irlanda do Norte. Também estará presente Mary Lou McDonald, líder da oposição na República da Irlanda.

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O memorando pedirá ao governo britânico que “prepare, planeje e facilite a mudança constitucional no País de Gales, na Escócia e na Irlanda do Norte”, em defesa da autodeterminação desses países, o que poderia levar à dissolução do Reino Unido. Eles também irão tratar de cooperação internacional, relações com a Europa, economia e energia.

Michelle O’Neill
Premiê Michelle O’Neill da Irlanda do Norte discute referendo com homólogos da Escócia, John Swinney, e do País de Gales, Rhun ap Iorwerth
@moneillsf/ X
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Reação à proposta

A questão da Irlanda do Norte ocupa lugar central no encontro. Segundo o Irish News, a participação de Michelle O’Neill provocou reação da vice-primeira-ministra da Irlanda do Norte, Emma Little-Pengelly, do partido unionista Partido Democrático Unionista (DUP).

A Irlanda do Norte integra o Reino Unido e possui um governo autônomo chefiado tanto por O’Neill (Sinn Féin) quanto por Little-Pengelly (DUP). Apesar dos títulos diferentes, uma não é subordinada à outra. Os dois cargos têm poder equivalente e funcionam conjuntamente.

Segundo ela, O’Neill “não tem autoridade” para representar o cargo de primeira-ministra na cúpula, nem para assinar qualquer documento nessa condição, uma vez que o Executivo norte-irlandês é compartilhado pelas duas dirigentes.

Já o premiê escocês, antes de viajar a Cardiff, disse que os partidos compartilham a convicção de que os interesses de seus países “jamais serão atendidos por Westminster” e de que “os povos de nossas respectivas nações devem ter uma participação significativa sobre seu futuro”.

Em paralelo, o primeiro-ministro galês, Rhun ap Iorwerth, afirmou à BBC que a cooperação não ficará restrita à questão da independência. Segundo ele, os três líderes compartilham a busca por “uma atitude diferente do governo do Reino Unido”, que também envolve a defesa de um financiamento mais justo, da distribuição equitativa de recursos e de maior autonomia para suas nações.

Governo britânico é contra referendo

Segundo o jornal britânico The Guardian, o primeiro-ministro Andy Burnham chegou a declarar no Parlamento que um novo referendo sobre a independência da Escócia poderia ser realizado caso houvesse um “consenso claro” entre os escoceses.

A declaração foi interpretada como uma possível flexibilização da posição de Londres, mas Downing Street posteriormente afirmou que a política do governo não havia mudado. O próprio Burnham afastou essa interpretação.

Em carta enviada ao primeiro-ministro escocês, John Swinney, reiterou que uma repetição do referendo de independência realizado em 2014 continua “fora de questão”.

A posição oficial de Londres também foi reafirmada à agência britânica Press Association (PA), por um porta-voz do governo. Ele afirmou que Burnham está comprometido em promover mudanças nas quatro nações que compõem o Reino Unido e “acredita firmemente na União”.

O governo britânico afirmou que pretende concentrar seus esforços nos problemas que considera prioritários para as famílias, entre eles a redução da pressão sobre o orçamento doméstico e a promoção de maior segurança econômica, em vez de se envolver em “debates constitucionais ou novos referendos”.

Segundo pesquisas citadas pelo Guardian, 47% dos eleitores escoceses votariam pela independência se um referendo fosse realizado agora. O percentual é de 36% na Irlanda do Norte e 32% no País de Gales. Na Escócia, o apoio à independência tem oscilado entre 45% e 50% desde o referendo de 2014.

‘Adoraria vê-la unificada’, diz Trump

No sábado (12/09), durante visita à Irlanda, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu publicamente a reunificação da Irlanda do Norte com a República da Irlanda, que não integra o Reino Unido e é parte da União Europeia (UE).

Ao lado do primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, Trump afirmou que “adoraria vê-la unificada” e que a reunificação “vai acontecer eventualmente”, acrescentando que “poderia muito bem acontecer agora”.

A declaração provocou reação do governo britânico e de partidos unionistas da Irlanda do Norte. Londres reafirmou que sua posição não mudou e que atualmente não há apoio majoritário à reunificação.

Neste domingo (13/09), Trump voltou ao assunto, classificando a união das duas Irlandas como uma solução “natural”, mas evitou se pronunciar sobre uma eventual independência da Escócia.

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