Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
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O governo do socialista Pedro Sánchez aprovou nesta terça-feira (27/01) um plano de regularização de imigrantes para beneficiar cerca de 500 mil pessoas. A expectativa é que cidadãos vindos de países latino-americanos sejam os principais contemplados com a medida.

O plano, aprovado nesta terça-feira em um conselho de ministros, permitirá regularizar em torno de “meio milhão de pessoas” que chegaram na Espanha antes de 31 de dezembro de 2025 e não possuem antecedentes criminais. Para facilitar a implementação, o governo adotou um “decreto real”, sem a necessidade de uma votação no Parlamento, onde Sánchez não dispõe de maioria.

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A reforma ocorre após uma iniciativa popular assinada por mais de 600 mil pessoas e apoiada por cerca de 900 associações. Os pedidos de regularização poderão começar a ser registrados a partir de abril, segundo a ministra espanhola de Migrações, Elma Saiz.

“Hoje é um dia histórico para o nosso país. Estamos reforçando um modelo migratório baseado nos direitos humanos, na integração e compatível com o crescimento econômico e com a coesão social”, afirmou, em coletiva de imprensa.

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Espanha é exceção na UE

O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez é uma exceção no que diz respeito à questão da imigração na União Europeia. A decisão de adotar o plano contrasta com o endurecimento da política de muitos países do bloco, sob a pressão da extrema direita.

“Somos um país que defende firmemente um modelo migratório legal, seguro, ordenado, mas também aberto e humano, diante dos que defendem fechar nossas fronteiras”, afirmou o premiê recentemente. Segundo ele, “80% do crescimento” econômico da Espanha nos últimos seis anos e 10% das receitas da segurança social do país devem-se à migração.

Plano aprovado em conselho de ministros visa integrar quem chegou até 2025; governo defende modelo ‘aberto e humano’ e atribui 10% da seguridade social aos migrantes
@sanchezcastejon / X

O Instituto Nacional de Estatística respalda as afirmações do premiê socialista. O desemprego caiu para menos de 10% no quarto trimestre de 2025, e a maioria dos novos funcionários é estrangeiro, informou o órgão nesta terça-feira.

Sete milhões de estrangeiros

A Espanha é uma das principais portas de entrada para imigrantes na Europa, ao lado da Itália e da Grécia. Cerca de 37 mil pessoas chegaram ao país em 2025 de forma irregular, um número bem menor que o de 2024 (queda de 42,6%, quando houve 64 mil entradas), segundo o Ministério do Interior.

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, mais de sete milhões de estrangeiros vivem na Espanha, que tem uma população total de 49,4 milhões de pessoas. Os migrantes latino-americanos representam 91% das 840 mil pessoas atualmente em situação irregular no país, aponta o think tank Funcas.

Em novembro de 2024, o governo socialista já havia aprovado uma reforma que permitiria a regularização de 300 mil pessoas por ano, ao longo dos três anos seguintes. O objetivo era cumprir as normas europeias e lutar contra o envelhecimento populacional. Mas, com o novo plano, Sánchez mira na garantia dos direitos, reforçando sua tendência pró-imigração.

Críticas de políticos conservadores

Sem surpresa, o plano suscitou críticas da oposição de direita e de extrema direita. “Na Espanha socialista, a ilegalidade é recompensada. A política migratória de Sánchez é tão insensata quanto a sua política ferroviária”, criticou na rede social X Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP, direita), principal força de oposição, fazendo alusão aos recentes acidentes envolvendo trens no país. Para ele, as medidas buscam “desviar a atenção” da tragédia ferroviária que deixou 45 mortos no sul do país em 18 de janeiro.

Santiago Abascal, líder do partido de extrema direita Vox, terceira força política do país, classificou o premiê de “tirano”. Ele “odeia o povo espanhol. Quer substituí‑lo. Por isso pretende promover o efeito de atração por decreto, para acelerar a invasão”.

Com o anúncio das regularizações de estrangeiros em larga escala, o PSOE de Sánchez volta a se aproximar da legenda de extrema esquerda Podemos, antiga aliada que se tornou bastante crítica nos últimos meses. “Podemos está aqui para garantir direitos — e os documentos são direitos”, afirmou na segunda‑feira (26/01) a deputada europeia Irene Montero.