Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, denunciou uma “violação da integridade territorial da Espanha”, após 50 mil pessoas terem entrado ilegalmente em Ceuta, no norte da África, procedentes de Marrocos nas últimas horas desta sexta-feira (31/07).

O presidente do governo espanhol atribuiu a responsabilidade a “máfias de tráfico humano” pela crise migratória e defendeu a resposta de Marrocos, referindo-se ao país como “um aliado” durante um discurso na Assembleia da cidade autônoma.

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O premiê chegou à região nesta sexta-feira acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, que informou que aproximadamente metade delas, cerca de 25 mil retornaram voluntariamente ao Marrocos.

Segundo ao Ministério do Interior do espanhol, 48,3 mil migrantes já retornaram ao território marroquino, entre regressos voluntários e outros casos que foram forçados pelos agentes de segurança.. As autoridades também reconhecem pelo menos 34 pessoas que morreram tentando cruzar a fronteira.

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Sánchez acrescentou que a crise migratória eclodida foi resultado da decisão do Supremo Tribunal que, no início de julho, confirmou que a lei não permite as devoluções em fronteira de migrantes que pretendem entrar em Ceuta e Melilla a nado.

“Parece que essa interpretação da decisão da Suprema Corte se espalhou como fogo em palha nas últimas horas pelas redes mafiosas que traficam seres humanos, e produziu uma avalanche com as características e a escala que vivenciamos ontem”, declarou o presidente do governo espanhol.

Em meio à crise, o premiê alertou que a situação é excepcional porque, nos últimos anos, a chegada de migrantes irregulares tem diminuído graças a uma “colaboração muito razoável” com outros países.

“Compreendo a situação que a cidade autónoma de Ceuta atravessa atualmente, mas é evidente que, se quisermos combater as máfias e reduzir a migração irregular, precisamos de cooperar com os países de origem e de trânsito. É isso que o Governo espanhol está a fazer com todos os países do Norte de África e também da África Ocidental: Mauritânia, Senegal, Gâmbia”, explicou.

No entanto, ele reconheceu que é necessária uma “resposta muito mais forte” para a emergência em Ceuta, onde a chegada em massa de imigrantes causou uma nova crise para o seu governo.

“Em termos agregados, de um modo geral, houve uma redução de 36% em 2026, com base no que vimos até agora este ano, e de 40% em relação a 2024”, disse Sánchez, quando questionado sobre se havia uma colaboração real por parte de Marrocos, já que os migrantes entram no país “gritando ‘Viva a Espanha!’ e muito felizes”, sem saber exatamente para onde vão.

Sánchez indicou que o Governo deve analisar como gerir a situação, não só do ponto de vista mais imediato, mas também por meio de possíveis alterações legislativas.

“De fato, precisamos ver como gerenciar isso — não apenas do ponto de vista mais imediato, com a instalação de barreiras de contenção para que as repatriações na fronteira possam ser realizadas, mas também do ponto de vista legislativo”, disse ele.

Muitos se afogaram ao realizar a travessia a nado, ou morreram no tumulto para atravessar o quebra-mar na praia de Tarajal, disse Rachid Sbihi, líder de uma associação local de trabalhadores que representa os oficiais da Guarda Civil, à Associated Press, e descreveu a situação como uma “grave crise humanitária”.

Fontes do governo marroquino disseram à agência de notícias Europa Press que o aumento do fluxo de pessoas para Ceuta se devia a “organizações criminosas” e insistiram que a cooperação de Rabat com a Espanha continuava “exemplar”.

Suspensão do Tratado de Schengen

Em razão do fluxo migratório, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, confirmou na quinta-feira (30/07) que “medidas extraordinárias” estão sendo consideradas para proteger as fronteiras do país, incluindo a suspensão do Acordo de Schengen com a Espanha, devido à crise migratória em Ceuta.

“As imagens vindas de Ceuta são chocantes e demonstram, mais uma vez, que a imigração ilegal descontrolada representa uma ameaça concreta à segurança das fronteiras europeias”, escreveu em suas redes sociais.

A França também declarou que reforçará os controles em sua fronteira com a Espanha, informou o Politico. O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou que mobilizará unidades policiais e militares e que está em contato com as autoridades espanholas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu as imagens das pessoas atravessando a fronteira como “inaceitáveis” e assegurou que a União Europeia “não pode permitir que ninguém entre na nossa União sem respeitar as nossas regras”, enquanto o Comissário para as Migrações, Magnus Brunner, trabalha em conjunto com a Espanha.

A ministra do Interior da Finlândia, Mari Rantanen, pediu que a Espanha fosse suspensa do Espaço Schengen. “A Espanha falhou completamente em proteger a fronteira externa do Espaço Schengen da imigração ilegal. Isso não pode continuar”, escreveu em sua conta no X.

Rantanen apelou a todos os países europeus para que apoiem a proposta feita na quinta-feira pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, de suspender o acordo do Espaço Schengen com a Espanha, na sequência da chegada em massa de migrantes indocumentados a Ceuta, vindos de Marrocos.

“Os países que não cumprem a sua obrigação de proteger as suas fronteiras externas não podem ser membros do Espaço Schengen”, enfatizou o ministro finlandês.

A eventual suspensão das garantias de livre circulação previstas no Tratado de Schengen — medida excepcional autorizada pelo direito da União Europeia para proteger a segurança interna — resultaria na reintrodução temporária dos controles fronteiriços entre a Itália e a Espanha.

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou à Fox News na quinta-feira que, se os democratas vencerem as eleições, o país se encontrará na mesma situação da Espanha, que enfrenta uma grave crise migratória na cidade autônoma de Ceuta.