Sexta-feira, 10 de julho de 2026
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O governo espanhol vetou a Palantir Technologies, empresa apoiada pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), excluindo a empresa de tecnologia de novos contratos com entidades estatais devido a preocupações com a segurança interna e riscos de vulnerabilidade em dados confidenciais.

O gabinete do primeiro-ministro espanhol emitiu diretrizes para que empresas pertencentes à Sociedade Estatal de Participações Industriais (SEPI) suspendam futuros contratos frente às preocupações. A proibição visa organizações envolvidas em comunicações de alto nível e inteligência militar, incluindo a Indra, a Telefônica e a empresa de construção naval Navantia.

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O veto incluiu um projeto da Navantia quase concluído, além de uma parceria negociada com a Guarda Civil espanhola, já vetada pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

Apesar das regulamentações, um contrato de mais de US$ 18 milhões com o Centro de Inteligência das Forças Armadas (CIFAS) permanece em vigor até novembro. Líderes do Exército e da Marinha instaram a ministra da Defesa, Margarita Robles, a renovar o acordo, mas o gabinete do primeiro-ministro espanhol ainda não emitiu uma decisão oficial.

Mais lidas

Tendência europeia

A posição de Madri está alinhada com as tendências observadas em toda a Europa. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou no mês passado o término dos contratos de inteligência com a empresa norte-americana; os serviços de inteligência alemães também passaram a utilizar concorrentes do setor, como a ChaosVision.

Espanha veta contratos da Palatir com empresas públicas
Cory Doctorow / Flickr

Em Londres, o prefeito Sadiq Khan bloqueou um acordo de quase US$ 67 milhões da empresa com a Polícia Metropolitana, após classificá-lo como uma violação clara e grave das normas de licitação.

A Espanha está redirecionando fundos para tecnologia local a fim de fortalecer a soberania nacional de dados, uma ação que inclui um investimento de US$ 131 milhões na empresa catalã Openchip.

Atritos diplomáticos e cumplicidade em genocídio

As medidas do governo espanhol coincidem com as tensões diplomáticas entre o primeiro-ministro Pedro Sánchez e a administração dos Estados Unidos. Os líderes da Palantir, Peter Thiel e Alex Karp, mantêm laços estreitos com o presidente norte-americano, Donald Trump.

Karp, CEO da Palantir, declarou-se publicamente o CEO mais solidário de Israel, afirmando que o país está do lado do bem e expressando orgulho pelo apoio corporativo recebido.

Um relator especial da ONU identificou, em relatório de 2025, a Palantir Technologies — fundada pela In-Q-Tel, o braço de capital de risco da CIA — como uma das 48 empresas que contribuem para uma “economia do genocídio” devido à participação da Palantir na guerra de Israel em Gaza.

O documento afirma que a empresa ampliou sua assistência após outubro de 2023 com o fornecimento de sistemas automatizados de inteligência artificial, como “Lavender” e “Gospel”, para processar dados e gerar listas de alvos letais no campo de batalha.

Inteligência artificial militar é questionada

Agências de notícias internacionais relataram, em março de 2026, que o Pentágono designou o sistema inteligente Maven da Palantir como um programa oficialmente registrado, garantindo a integração a longo prazo da inteligência artificial voltada para armamentos nas Forças Armadas dos Estados Unidos.

O subsecretário de Guerra dos Estados Unidos, Steve Feinberg, classificou o sistema como um pilar da estratégia norte-americana devido ao seu uso generalizado na guerra EUA-Israel contra o Irã em fevereiro.

Até 9 de abril, o CENTCOM relatou mais de 13 mil ataques contra alvos iranianos. O sistema Maven foi usado na campanha, gerando mais de 3 mil opções de alvos em 24 horas, apesar de ter uma precisão de classificação de apenas 60%, em comparação com 84% para analistas humanos.

Entre os ataques, houve um contra a Escola Primária Shajareh Tayyebeh em Minab, que resultou na morte de pelo menos 175 civis, 160 entre eles eram crianças em idade escolar entre 7 e 12 anos.

Guerra cognitiva

Em 31 de março, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã incluiu a Palantir em um grupo de 18 empresas de tecnologia norte-americanas cujas instalações no Oriente Médio foram declaradas alvos legítimos.

Registros de violações de direitos humanos atribuídas à Palantir chegam ao âmbito doméstico dos Estados Unidos. Reportagens de janeiro na revista Fortune indicam que a empresa de tecnologia ligada à CIA usa dados governamentais de saúde do Medicaid e de outros programas para auxiliar o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na geração de perfis de deportação.