EUA aumentam pressão para que países da OTAN cumpram gastos com defesa
Cúpula da aliança militar ocorre nesta terça (07) para avaliar meta de 5% do PIB em segurança; ataque russo e protestos antecedem encontro
A cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que acontece em Ancara, na Turquia, nesta terça e quarta-feira (07 e 08/07), vem sendo marcada por contundentes declarações de Washington para que os países da aliança ampliem seus gastos militares e cumpram a meta acordada de dispender 5% do PIB em defesa e segurança.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participará do encontro e, também, irá se reunir bilateralmente com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy. O objetivo de Washington é diminuir seus investimentos no bloco, transferindo os custos em defesa para os próprios países europeus.
O embaixador do país na OTAN, Matt Whitaker, disse a cúpula fará um balanço do compromisso assumido pelas nações europeias, no ano passado, durante a cúpula de Haia, de elevar seus custos para 5% do PIB. Whitaker elogiou a Polônia, os países nórdicos, os países bálticos e a Alemanha pelo avanço em direção à meta, mas afirmou que “muitos outros estão ficando para trás”.
Segundo ele, “o presidente Trump espera que todos os aliados intensifiquem seus esforços imediatamente, não apenas caminhando de forma sustentável rumo aos 5%, mas atingindo essa meta o mais rápido possível”. Países como Itália, Espanha e Reino Unido já disseram que não conseguirão chegar ao patamar estabelecido.
Compras dos EUA
Washington também pretende estimular que os países europeus adquiram equipamentos produzidos pela indústria bélica norte-americana, oferecendo uma concessão de prioridades na compra dos armamentos aos países que atingirem a meta da OTAN.
Em artigo publicado neste domingo, no The Economist, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, instaram os países a cumpri-la. Eles afirmam que “a era de dependência dos EUA chegou ao fim” e advertem que a atual capacidade industrial da aliança “não é suficiente” para atender às demandas impostas pela guerra na Ucrânia.
A reunião, acrescentaram, discutirá a acelerarão da fabricação de munições, mísseis, sistemas de defesa aérea e outros equipamentos militares pelos países europeus.

Rutte e Zelenlensy durante a Cúpula da OTAN em Haia, no ano passado
@OTAN
Ataques russos
A véspera do encontro também foi marcada pelos ataques russos, em Kiev, nesta segunda-feira (06/07). A Rússia lançou uma onda de mísseis e drones que atingiu a capital ucraniana, provocando a morte de pelo menos 14 pessoas e deixando 117 feridos, de acordo com o gabinete do procurador-geral da Ucrânia.
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou o ataque, informando ter utilizado armas de longo alcance e drones em uma ofensiva massiva contra instalações militares, infraestrutura energética e aeródromos em Kiev e em outras regiões do país.
Diante da ofensiva, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky cobrou um reforço urgente da defesa aérea da Ucrânia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, respondeu nas redes sociais, afirmando que o tema será uma das prioridades da cúpula.
“A Ucrânia precisa urgentemente de mais defesa aérea”, disse Von der Leyen. “Continuaremos aumentando a pressão até que a Rússia ponha fim ao derramamento de sangue”, acrescentou.
Protestos populares
Em meio às exigências de militarização da Europa, manifestantes tomaram as ruas das cidades de Istambul, Ancara e Izmir, postando cartazes com as inscrições “A OTAN mata, saiam do país” e “Não ao avanço da OTAN”.
A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersá-los e, segundo o Partido Comunista da Turquia, mais de 100 pessoas foram detidas durante os protestos às vésperas do encontro.
























