Ex-presidente russo acusa Alemanha de colocar segurança da Europa em risco
Em artigo publicado na RT, Dmitry Medvedev compara comportamento atual do país com governo nazista antes da invasão alemã à União Soviética, em 1941
O ex-presidente russo Dmitry Medvedev publicou um longo artigo no portal russo RT nesta quinta-feira (07/05), comparando o atual comportamento da Alemanha com o governo nazista em 1941, antes de o país invadir a União Soviética, dando início à Operação Barbarossa, durante a II Guerra Mundial.
Medvedev, presidente entre 2008 e 2012, detalha vários exemplos de uma campanha de militarização na Alemanha, afirmando que na véspera de 22 de junho de 1941, os alemães também “prepararam antecipadamente uma rede de posições estratégicas idênticas às atuais nas principais direções operacionais.”
No artigo, ele aconselha Moscou e demais países a desconfiarem da “sabedoria de Berlim” e não acreditarem que o país nunca se arriscará a entrar em novo combate de grandes proporções. Em sua avaliação, a Rússia deve ter suas Forças Armadas “preparadas para o combate na direção ocidental”.
“O principal é não permitir que a tragédia de 1941 se repita”, diz Medvedev, argumentando que o governo alemão apresenta características de uma “ditadura militar” e que está “obcecado por um revanchismo desenfreado e neocolonialismo”.
Ele observa que apesar das reiteradas declarações de Moscou de que não planeja atacar os países europeus, nos últimos meses, o Ocidente intensificou sua narrativa sobre uma suposta ameaça russa. “Hoje, a liderança política da Alemanha proclamou a Rússia como ‘a principal ameaça à segurança e à paz’. Em Berlim, a tarefa de infligir uma ‘derrota estratégica’ à Rússia foi oficialmente articulada”, salientou.
“Há um processamento de propaganda em larga escala da opinião pública, e teses sobre a inevitabilidade de um confronto militar com a Rússia até 2029 são constantemente lançadas no jogo”, complementou.
Militarização
Medvedev aponta que essas “tendências revisionistas inaceitáveis e perigosas estão ganhando força” na Alemanha e que as pessoas estão sendo preparadas ideologicamente para “tempos terríveis”. E elenca várias ações em torno da militarização do país visando transformar o Bundeswehr (Forças Armadas da Alemanha) no exército mais forte da Europa, abrangendo o financiamento acelerado do país em rearmamento e o aumento do alistamento militar.
No começo de março, 16 mil pessoas solicitaram ingresso nas Forças Armadas, 20% a mais do que no mesmo período de 2025. “Em grande parte, isso ocorre devido ao alarmismo das autoridades e à lavagem cerebral dos jovens pela propaganda estatal”, afirma Medvedev. Ele também aponta que para 2026, “as autoridades alemãs estão dispostas a gastar mais de €82 bilhões (R$ 474 bilhões) em “defesa”, leia-se: para se preparar para a guerra, o que representa €20 bilhões (R$ 115 bilhões) a mais do que em 2025″.

Ex-presidente russo acusa Alemanha de colocar segurança da Europa em risco
Reprodução vídeo / @MedvedevRussia
O objetivo de Berlim, acrescentou, é envolver Washington, em possíveis confrontos entre Europa e Rússia. “Não importa o que digam, a Bundeswehr continua profundamente dependente do apoio militar norte-americano”, disse.
“Berlim, novamente, como há 85 anos, está olhando de forma predatória para o Leste”, alerta, ao avaliar que “o governo alemão, por meio de suas ações imprudentes, está colocando a segurança da Europa Central e Oriental e, mais importante, de todo o continente em risco”.
Medvedev recomenda Moscou a dar um claro sinal às elites alemãs de que, em caso de ataque, “há uma alta probabilidade de destruição mútua assegurada e, na realidade, de fim da história da civilização europeia, se continuarmos a existir”. Neste caso, “a tão aclamada indústria alemã não será apenas seriamente castigada, mas será completamente destruída, assim como a economia alemã, que ninguém jamais recuperará”, acrescenta o texto.
Dois caminhos para Berlim
Ele reitera que ‘uma Alemanha militarizada não é o que uma Europa enfraquecida precisa se deseja conservar pelo menos alguma autonomia política no novo mundo multipolar. Uma Alemanha assim também não nos convém no futuro, pois é perigosa e imprevisível”.
Em sua avaliação, para Berlim, restam dois caminhos: “a guerra e o enterro vergonhoso de sua própria soberania” ou o caminho da “sobriedade e, em seguida, o da recuperação geopolítica com uma reestruturação completa de suas orientações em política externa, baseada em um diálogo difícil, mas importante”.
“Para nós, ambos os cenários são aceitáveis. A palavra é da Alemanha e espero que não sejam as palavras que todos conhecemos: ‘se estou destinado a perecer, que pereça também o povo alemão, pois mostrou-se indigno de mim”, concluiu, ao trazer as palavras atribuídas a Adolf Hitler, após ser derrotado pelos russos na II Guerra Mundial.





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