Terça-feira, 3 de março de 2026
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Andrew Mountbatten-Windsor, ex-membro da família real britânica, foi libertado na quinta-feira (19/02) após ter ficado detido por cerca de 11 horas sob suspeita de má conduta no exercício de cargos públicos. Segundo informações da imprensa britânica, a prisão ocorreu enquanto ele comemorava seu 66º aniversário em sua residência.

O ex-duque de York foi fotografado encolhido no banco de trás de um veículo, saindo da delegacia de polícia de Aylsham, em Norfolk. A polícia do Vale do Tâmisa informou que ele foi liberado sob investigação e que as buscas em uma propriedade em Norfolk, casa do ex-príncipe Andrew na propriedade de Sandringham, foram concluídas. As buscas em seu antigo endereço, o Royal Lodge em Windsor, Berkshire, ainda estavam em andamento na noite de quinta-feira.

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Durante a prisão, a polícia havia explicado que a prisão integra uma investigação em andamento. O órgão não citou o nome de Windsor no comunicado. “Como parte da investigação, hoje (19/02) prendemos um homem na casa dos sessenta anos de Norfolk sob suspeita de má conduta no exercício de cargos públicos e estamos realizando buscas em endereços em Berkshire e Norfolk”, declarou a corporação.

A nota acrescentou que o homem “permanece sob custódia policial no momento”. A polícia afirma que não divulgará formalmente a identidade do detido, seguindo diretrizes nacionais. “Não vamos nomear o homem preso, conforme a orientação nacional. Por favor, lembre-se também de que este caso está em andamento, portanto, qualquer publicação deve ter cuidado para evitar desacato ao tribunal”, diz o comunicado.

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Chatham House / Wiki Commons

Segundo as informações divulgadas, os agentes realizaram buscas em propriedades localizadas em Berkshire e Norfolk. As autoridades não detalharam o conteúdo exato das acusações.

Investigações

O ex-príncipe perdeu as honrarias após ser denunciado por Virginia Giuffre, vítima do criminoso sexual Jeffrey Epstein, por ter mantido relações sexuais com a jovem, quando ela tinha apenas 17 anos. Giuffre também o acusou de ter realizado orgias com outras meninas. O nome do ex-membro da realiza britânica é citado várias vezes nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Após a prisão, a família de Giuffre divulgou um comunicado nesta quinta-feira (19/02). “Finalmente, hoje nossos corações partidos foram consolados com a notícia de que ninguém está acima da lei – nem mesmo a realeza”, diz o texto, agradecendo à Polícia do Vale do Tâmisa pela prisão. “Ele nunca foi um príncipe. Para os sobreviventes de todo o mundo, Virginia fez isso por vocês”, acrescenta o comunicado.

A polícia também investiga as alegações de que o ex-integrante da realeza teria compartilhado informações sensíveis com Epstein durante o período em que atuava como enviado comercial do Reino Unido. O chefe assistente da corporação, Oliver Wright, confirmou o início formal do processo investigativo: “após uma avaliação minuciosa, abrimos agora uma investigação sobre essa alegação de má conduta no cargo público”.

“É importante que protejamos a integridade e objetividade da nossa investigação enquanto trabalhamos com nossos parceiros para investigar essa suposta infração. Entendemos o grande interesse público neste caso e forneceremos atualizações no momento apropriado”, acrescentou.

Após ser ouvido pela polícia, o ex-príncipe poderá permanecer detido ou libertado enquanto as investigações prosseguem. Como informa The Guardian, no segundo caso, o período máximo de detenção pode chegar a 96 horas, mas, em geral, os suspeitos são detidos por 12 ou 24 horas.

‘Lei deve seguir seu curso’

Aplaudido ao chegar em evento, no centro de Londres, o Rei Charles III postou um comunicado sobre a prisão do irmão mais novo, afirmando ter recebido “com profunda preocupação as notícias sobre Andrew Mountbatten-Windsor e a suspeita de má conduta em cargo público”.

Ele salientou que agora, o que segue “é o devido processo legal, justo e adequado, pelo qual esta questão será investigada de forma apropriada e pelas autoridades competentes”. O monarca afirmou que as investigações “contam com o nosso total e irrestrito apoio e cooperação”, reiterando: “deixe-me ser bem claro: a lei deve seguir seu curso”.

O primeiro-ministro britânico, Keir Stamer, também se pronunciou, logo após a detenção do ex-príncipe. “Eles conduzirão suas próprias investigações, mas um dos princípios fundamentais do nosso sistema é que todos são iguais perante a lei e ninguém está acima da lei”, disse à BBC News. “Isso é um princípio muito importante para o nosso país, e tem de ser aplicado a este caso do mesmo jeito que seria a qualquer outro”, acrescentou.

O ex-premiê Gordon Brown, também se manifestou. Segundo as acusações, as informações passadas para Epstein por Windsor, teriam ocorrido durante o seu governo. Brown relatou ter enviado “um memorando de cinco páginas para a Polícia Metropolitana, Surrey, Sussex, Thames Valley e outras forças policiais relevantes do Reino Unido”.

“Este memorando fornece informações novas e adicionais às que apresentei na semana passada às forças policiais de Met, Essex e Thames Valley, onde expressei minha preocupação em garantir justiça para as meninas e mulheres vítimas do tráfico”, salientou.

‘Que haja justiça’

A premiê do País de Gales, Eluned Morgan, disse estar “chocada” com a prisão de Mountbatten-Windsor: “acho que todos ficamos chocados com o que aconteceu”.  E complementou: “agora que houve uma prisão e o caso está nas mãos da polícia, não posso comentar mais nada, mas é uma situação séria” e “todos devem ser tratados da mesma forma”.

O primeiro-ministro escocês, John Swinney, foi sucinto, afirmando que a prisão “diz respeito, obviamente, a um caso em andamento, não creio que seja apropriado da minha parte comentar sobre isso”. Uma postura oposta do ex-premiê escocês, Humza Yousaf, o primeiro muçulmano a assumir o cargo no país.

Em mensagem no X, ele afirmou a importância da responsabilização e reconheceu o papel das vítimas de Jeffrey Epstein:  “o devido processo legal é importante, mas a responsabilização também”.

“Por muito tempo, riqueza, títulos e status protegeram os homens. Graças à coragem das vítimas de Epstein, como Virginia Giuffre, é que agora há alguma investigação sobre aqueles que se associaram a ele. Esperemos que haja justiça”, acrescentou.